Estância alvissareira

* Carlos Morais Vila-Nova

Registros históricos mencionam que o nome da povoação veio duma “estância”, ou melhor, área territorial para criação de gado, doada em 16 de setembro de 1621, pelo capitão-mor da Capitania de Sergipe, João Mendes, ao mexicano Pedro Homem da Costa.
Presumivelmente, os dias e anos labutados pelo mexicano e seus familiares iniciaram esta Estância contemporânea, que progrediu, avançou e que tem uma história marcante no cenário sergipano e nacional. Conquistas significativas ocorreram no século XIX, ao ponto da Estância superar a vila sede, que era Santa Luzia do Itanhy, em decorrência de alguns atributos relevantes, como localização e em razão dos desenvolvimentos cultural, industrial e comercial, já existentes na época.
Portanto, trazendo com mais precisão dos escritos, a partir de 25 de outubro de 1831, Estância passou a ser a matriz administrativa e política; para anos mais tarde acontecer o dia excelso de 04 de maio de 1848, da elevação à categoria de cidade, assinada pelo então presidente da província de Sergipe, Zacarias de Gois e Vasconcelos.
Meio a esses ares de desenvolvimento, a Estância se constituiu com praças arborizadas, prédios coloniais, berço cultural, colégios referenciados, bons escritores e famosos jornais. Decerto vem fazendo uma história promissora, desde aquela povoação inspirada por um mexicano, que era devoto de Nossa Senhora de Guadalupe, também padroeira da cidade do México.
Passando para o tempo atual, com a contagem desde a data em que foi elevada à categoria de cidade; certamente, a comemoração dos 178 anos de Estância é muito bem-vinda e chega de forma alvissareira em 04 de maio de 2026, sendo digna de celebração pela atual gestão do prefeito André Graça, que foi iniciada pelo vigor das obras realizadas e em andamento; e, pelas ações na geração de trabalho e renda.
As recentes obras encetadas e o fomento às tradições, cultura, educação e esporte se coadunam com o passado histórico desta cidade. Um dos pontos mais destacáveis é a instalação da “universidade pública federal de Sergipe”, funcionando em local provisório, CREJA Jorge Amado, próximo ao ginásio de esporte Albano Franco, já trazendo benefícios educacionais e socioeconômicos para Estância, com reflexos positivos de desenvolvimento para as cidades circunvizinhas.
Portanto, o panorama atual segue a trajetória de núcleo regional de educação, que vem desde os tradicionais cursos de segundo grau, de pedagogia, científico e ciências contábeis, oferecidos pelos educandários Sagrado Coração de Jesus, Instituto Diocesano e Escola do Comércio, que atendiam a alunos da localidade e região. Mais à frente no tempo e nessa mesma linha, o Campus da Universidade Tiradentes há mais de vinte anos foi instalado e congrega grande parte de estudantes de Estância e de municípios vizinhos.
Com a vinda da UFS para o território estanciano torna-se necessário fazer um entorno das boas perspectivas para o ambiente social, no qual a universidade se insere; e mais especificamente, em relação aos jovens, famílias e população menos desprovida, que serão mais beneficiadas pelos significativos diferenciais de gratuidade e proximidade, uma vez que, consistem em benefícios relevantes àqueles que não dispõem de recursos financeiros para o curso superior particular.
No campo cultural, cabe destaque para os movimentos existentes na área literária com o Clube dos Poetas, Academia Estanciana de Letras, jornal impresso Folha da Região e pelos vários escritores de livros recém-lançados.
A exemplo da magnífica Lira Carlos Gomes, orgulhosamente dignificada por 146 anos até os tempos atuais, existem manifestações culturais, que se inspiram nas épocas do apogeu histórico, vindas desde a edição do primeiro jornal sergipano, Recopilador Sergipano; e de filhos ilustres como, Constantino Gomes de Souza, Gilberto Amado, Gumercindo Bessa, Brício Cardoso, João Nascimento Filho, professora Francisquinha Assunção e outros (as).
Os ares estão também alvissareiros por conta da autorização da obra para a orla do Porto D’Areia, pelo fato de ser um empreendimento de grande importância para o progresso. Com a concretização das obras, meio à tradição pujante e potencial turístico do bairro, a nova orla será de grande importância, uma vez que, além do embelezamento trará mais geração de rendas e melhoria às condições de vida dos residentes. Certamente, consiste em passo robusto para uma Estância mais paritária em saneamento básico, calçamento e iluminação; vislumbrando padrão mais igualitário, homogeneizando as praças e ruas, que vão do bairro Alagoas, Centro até chegar ao bairro Porto D’Areia.
Desse modo, com positivismo, segue a Estância desses 178 anos, alvissareira e agraciada por bênçãos, geradoras de fé e autoestima para os estancianos.

* Carlos Morais Vila-Nova, advogado de Estância, bancário aposentado, mestre em Direitos Humanos

Compartilhe esta notícia