Ainda estamos aqui

* Rômulo Rodrigues

Assim gritou a juventude, assim gritaram os que tinham vozes presas nas gargantas, assim Janones ouviu, assim foram todos para as ruas chamando gente para o protagonismo mais necessário da República em pleno século 21; e assim brotou o resultado estrondoso com quase 7 milhões de votos do 1º para o 2º se considerarmos o que tirou de diferença somado ao que botou a mais de vantagem.

E aí, veio uma constatação inusitada, nenhum perito ajustador de abertura e fechamento de boca de jacaré conseguiu uma regulação aceitável nos padronizados institutos de pesquisas quando somados os números absolutos o presidente Lula colocou um pouco mais do que previam como vantagem sobre o candidato das milícias e da Faria Lima, do Partido Midiático, de toda a elite do atraso dentro da margem de acerto que é o que define a vontade popular.

Anunciada a vitória do velho Estadista com o tempero da rebeldia estudantil, bem captado pelo deputado federal reeleito Janones, que estimulou, organizou e deu direção a combatentes mais velhos pais, irmãos e avós da garotada que voltava das ruas com sangue nos olhos dizendo com voz forte; bora gente, bora para as ruas que o Brasil precisa de todo mundo e aqui fascistas não passarão.

Assim, arremessavam; já ouvimos histórias contadas por vocês que pintaram as caras em 1992 e que a geração anterior balançou os esqueletos da ditadura militar nas Diretas-Já em 1984 para botar para correr golpista um ano depois, fazendo uma varredura tipo faxina no imobilismo que fez as abstenções, votos brancos e nulos adiarem por 21 dias a vitória que viria com aquela sensação de: acabou o recreio e agora é prova final eleitoral e não vamos entregar nossa nação para um atravessador traíra vender na bacia das almas a um império decadente cujo dirigente maior só vê saída para seu desmonte se colocar um fantoche na direção para; de joelhos, acatar as suas ordens e entregar nossas riquezas.

Claro que a apuração foi sofrida, mas, emocionante, pela expectativa que envolvia e pelo método de anunciar por pedacinhos o resultado oficial, com um casal de dançarinos treinados no ritmo de dois para lá, dois para cá. Como se dançassem um bolero de Ravel.

De repente, na metade da dança, para a orquestra e começa a ser ouvida a batida suave de um surdo no momento em que aos 50% da apuração notasse um silêncio sepulcral vindo de onde milicianos soltavam foguetes e disparavam tiros de fuzis para cima, com suas labaredas assustadoras, sob os gritos de: há há, hu hu, a vitória é nossa.

Eduardo Bolsonaro lá dos EUA esnobou; que país é este em que se joga a economia acima da liberdade, antevendo que não teria soltura do pai condenado e preso por crime de tentativa de golpe, e muito menos anistia para os terroristas de 8 de janeiro de 2023 e aí, o ridículo deu as caras na passarela para o irmão que acabara de ser derrotado pelo povo dizendo que não aceitava o resultado das urnas, por ser desfavorável a ele e, foi seguido pelo seu lugar tenente Pablo Marçal que proferiu a verdade absoluta; a prorrogação do prazo de votação foi tomada pelo advogado de Lula que é ministro de STF Cristiano Zanin, para que ele vencesse a eleição.

Não demorou muito para serem desmoralizados pelo aliado nomeado por Jair Bolsonaro, a pedido de Flávio, o terrivelmente evangélico Kássio Nunes, presidente do TSE que comunicou: as eleições ocorreram dentro da normalidade e as 2 horas de prorrogação permitiram que em todo território nacional 35 mil eleitoras e eleitores cumprissem com seus deveres de votar.

Flávio Bolsonaro usou todo o seu tempo de propaganda eleitoras mentindo que o povo passa dificuldades de abastecimentos e não viu as pesquisas que atestavam que 69% da população dizia que, a vida melhorou no 3º mandato do presidente Lula e suas rendas aumentaram acima da inflação, também mentiu que foi demagogia do governo lutar pela aprovação do fim da escala semanal de trabalho 6×1 para 5×2 sem redução dos salários e sobre a tarifa zero nos fins de semana para a classe trabalhadora ter lazer e também visitar familiares e amigos.

Esqueceu-se de dizer que os prejuízos causados por ele e seu sócio Daniel Vorcaro dão para cobrir os investimentos de 5 anos de tarifa zero em transportes urbanos para a classe trabalhadora em todo o país e que, 44% dos entrevistados apontavam ter medo da volta de um Bolsonaro ao comando da nação.

Para finalizar, fez o que era esperado de um covarde, ao fugir deixando quase 60 milhões de pessoas que votaram nele se sentirem órfãs, junto com a extrema direita que está batendo cabeça a procura de um líder que tenha cérebro para guiá-los pelo deserto do não saber o que fazer.

Sem ter noção do seu ato, que atestou que a arrogância e prenúncio da queda, facilitou par que o novo velho presidente abra um civilizado diálogo com os conservadores democráticos, fazer o seu melhor governo que, afinal é o que governantes do mundo todo, fora Trump e Milei, esperam e celebram.

* Rômulo Rodrigues, sindicalista aposentado, é militante político

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