Rômulo Rodrigues
E é, porque o que muitos pensavam não acontecer tão breve, que despontasse, na política, uma liderança no PT para ocupar o espaço deixado por Marcelo Deda.
Marcio Macedo já é o cara? Não, mas está no caminho certo para ser e o caminho certo é que já compreendeu e aperfeiçoou que quando estiver frente a um emaranhado de intempéries da vida política, a saída estará muito perto; é olhar para cima e enxergar o Cometa, que é nada mais, nada menos que a política.
Não há infalibilidade no que está afirmado, há apenas a constatação de que os demais líderes políticos locais, que comandam o PT em Sergipe, parecem não olhar para cima e, se olham, não enxergam o que pode atingir e danificar o que custou muito sangue, suor e lágrimas para ser construído. Um exemplo? A eleição de 2022.
Na capital Aracaju, já vem sendo aceso o sinal de alerta de que é preciso dar um freio de arrumação agora, já, para que se expanda para todo o estado o sentimento de que um programa de governo como o defendido por Lula em campanha, não possa ser emparedado por um congresso de tão baixo nível como o atual.
E não é tão difícil, porque há lições a serem lidas. Querem ver? Em 1992, o PT foi derrotado na eleição para prefeito por uma larga diferença de votos, mas elegeu 2 vereadores; quatro anos depois, foi ao segundo turno da eleição, perdeu e elegeu 1 vereador.
A recuperação fulminante veio em 2000 quando elegeu o prefeito Marcelo Déda em primeiro turno com 52% dos votos e uma bancada de 4 vereadores.
Na eleição seguinte, 2004, Marcelo Déda se reelegeu em primeiro turno com 72% dos votos e novamente elegeu quatro vereadores. Entretanto, em 2008 quem se reelegeu em primeiro turno foi o prefeito Edvaldo Nogueira do PC do B, substituto natural de Marcelo Déda do PT e, dessa vez, o PT elegeu 5 vereadores, quebrando o que se dizia, que sem o cabeça de chapa, diminuíam os votos proporcionais, por dificultar o voto de legenda partidário.
Em 2012 com Valadares Filho do PSB derrotado em primeiro turno por João Alves Filho do DEM, a bancada ficou com um único vereador, Iran Barbosa que foi o mais bem votado do pleito; fato que se repetiu em 2016 com Edvaldo Nogueira de cabeça de chapa, quando aconteceu um fato interessante, o PT não aceitou lançar chapa pura para vereador e fez coligação com PC do B e PSD, foi o partido que teve mais votos entre nominais e de legenda, fez um vereador e o 2º suplente; o PSD, com menos votos fez 2 vereadores e o 1º suplente e o PC do B com menos votos na coligação fez 2 vereadores.
Na última disputa o PT lançou a candidatura de Márcio Macedo para a prefeitura, que com uma campanha desastrosa ficou em 4º lugar e elegeu apenas uma vereadora, a Prof. Ângela Melo.
No momento, Marcio Macedo desempenha um papel político importante junto ao presidente Lula – que me desculpe o povo enjoado da Globonews -,e instado a falar sobre a sucessão da prefeitura da capital, exerceu tudo o que aprendeu sobre mineirice na política e se saiu assim sobre o PT ter candidatura própria; nem sim nem não, muito antes pelo contrário, pode ter e pode não ter.
No quadro atual de grandes dirigentes local, tem defeitos e virtude inerentes ao ser humano, mas, está à frente em um quesito: o de ouvir!
Então que ouça por estas mal traçadas linhas, pelos olhos de ler! O que é preciso fazer para recuperar os espaços perdidos? Qual a análise de conjuntura para o PT reconquistar e ampliar espaços para até 2030, centenário da ascensão de Getúlio Vargas e marco histórico para fundar uma República de verdade? Quais as táticas disponíveis e as que poderão ser usadas? E, quem poderá contribuir no debate e construção de um projeto político? Com certeza, se procurar, acha.
Na conjuntura atual, de muitos perigos e dificuldades, o que o presidente Lula mais precisa é do seu partido em franca ebulição e mobilização.
E em Sergipe, a tarefa urgente é dar essa resposta pela via da mobilização que só será conseguida com incremento na democracia interna.
Rômulo Rodrigues, sindicalista aposentado, é militante político


