A CAMINHADA SERÁ LONGA, ÁRDUA, MAS SEGUE NO CAMINHO CERTO

* Rômulo Rodrigues

Já está mais do que provado que o exército estava preparado e pronto para dar mais um golpe de estado contra a democracia e o estado democrático de direito e que só não foram do planejado a ação concreta porque não receberam a ordem expressa dos Estados Unidos da América, a quem se sente subordinado. Dizem que o presidente Joe Biden, ao receber o pedido para aprovação, deu um sonoro não, como resposta.
Até aquele momento os estrelados consumidores de próteses penianas, leite condensado, Viagra, whisky, cerveja e picanha se achavam donos do pensamento nacional pela imposição das opiniões publicadas na mídia patronal golpista e deviam balbuciar, à boca miúda, está tudo dominado, a plebe ignara continua acreditando nos contos de fardas.
Tudo indica, conforme noticiado, a consulta se deu no período entre o resultado do 2º turno da eleição presidencial e a diplomação do novo presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva e o Vice Geraldo Alckmin, em 12 de dezembro de 2022, um dia antes de se relembrar do maior golpe dado à democracia no Brasil com a edição do famigerado AI-5, em 13 de dezembro de 1968.
Apoiaram e fizeram vista grossa quando um terrorista vindo do acampamento em frente ao quartel central do exército colocou explosivos em um caminhão estacionado estrategicamente em frente ao aeroporto da capital federal que, quando detonado, serviria de propósito para agirem contra as instituições como garantidores da lei e da ordem, que haviam aviltado.
A incompetência militar já por demais comprovada em não saberem defender as fronteira do País e comprovarem insegurança nas urnas eletrônicas, contribuiu para que não fizessem a carnificina que tentaram 41 anos antes fazer com a bomba do Riocentro.
Qual então o sentido deles darem tantos golpes e estarem sempre querendo mais, proteger a democracia? Não, Nunca!
A formação militar no Brasil é profundamente antidemocrática pelo fato de suas academias proliferarem mentiras doutrinárias de que são guardiões da Constituição Federal e da ordem interna.
O exército brasileiro é considerado, até por institutos internacionais, como um dos mais despreparados do mundo e que mais matou os próprios irmãos.
A história não oficial, contada pelos vencidos, registra os inúmeros massacres contra o povo, em defesa do colonialismo escravocrata em inúmeros movimentos de lutas contra a opressão e exploração humana como em Canudos e mais de uma dezena de lutas por liberdade e direitos, principalmente, no Nordeste.
Para coroar o raciocínio, o jeito foi recorrer ao artigo do jornalista Jeferson Miola sobre a reforma militar necessária como um roteiro do livro do professor Manuel Domingos.
O jornalista escreve em seu Blog que muito pouco ou quase nada se debate sobre a reforma militar, embora sua caracterização seja um requerimento fundamental para a democracia brasileira e a defesa nacional.
Segundo o professor, o Brasil tem um arremedo de defesa. As forças armadas, cuja supremacia orçamentária, de tropas e estrutura é do exército, são vocacionadas e treinadas para combater o “inimigo interno”; sendo absolutamente incapazes de proteger o País de eventuais agressores estrangeiros.
Segundo ele o militar brasileiro herdou o conceito de ser guardião colonial escravista e se proclamando pacificador da sociedade escravocrata, se apaixona pelo colonizador e passa a odiar a pátria que não seja à sua imagem e semelhança.
Manuel Domingos deixa então sua visão de que para vencer a vulnerabilidade externa do Brasil será preciso criar uma nova defesa, com capacidade de defender o Brasil sob outra visão organizativa e cultural do que seja realmente “Forças Armadas”.
Ele defende o fim do serviço militar obrigatório e eu defendo o fechamento do clube militar para ser transformado em um museu da história da República e da Democracia.

* Rômulo Rodrigues, sindicalista aposentado, é militante político

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