A CPMI do INSS é segredo de Estado?

* Gregório José

A CPMI do INSS começou ontem, em Brasília, sob a batuta do senador e jornalista Carlos Viana. Até aí, nada fora do esperado: mais uma comissão para investigar velhos problemas da máquina pública. Mas o que surpreendeu não foi o que se discutiu, e sim o que não se pôde mostrar. O presidente decidiu que não se poderia fotografar, nem divulgar informações do início dos trabalhos.
Ora, meus caros, estamos falando de uma Comissão Parlamentar de Inquérito. O instrumento existe, justamente, para jogar luz sobre suspeitas, sobre desvios, sobre descasos. É a vitrine do Legislativo no papel de fiscal do Executivo. E o que faz o presidente da comissão? Fecha a cortina.
Parece piada, pois, a CPI, que deveria ser sinônimo de transparência, começa em clima de sigilo. É como se um médico proibisse o paciente de saber o resultado do exame. O que se pretende esconder? Qual é a razão de blindar o público logo na largada?
Em tempos de desconfiança generalizada na política, esse tipo de gesto é gasolina no fogo. A sociedade não suporta mais saber das coisas pela “rádio corredor” ou pelos vazamentos seletivos. Informação oficial e transparente é o mínimo que se espera.
O senador Carlos Viana, que também é jornalista, deveria ser o primeiro a defender a exposição plena dos atos da CPMI. Mas, ao contrário, escolheu colocar uma venda nos olhos do público.
E aqui cabe a pergunta que não quer calar “se a comissão já nasce às sombras, o que se pode esperar quando chegarem as horas mais duras da investigação?”

* Gregório José, Jornalista/Radialista/Filósofo

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