**PUBLICIDADE
Publicidade

A crise diplomática que não houve


Avatar

Publicado em 27 de fevereiro de 2024
Por Jornal Do Dia Se


* Emir Sader

Me pedem que eu comente a crise diplomática. Eu pergunto: Que crise?
Trata-se de uma crise fabricada pela mídia. Lula fez mais uma condenação do genocídio dos palestinos por Israel. Uma afirmação que hoje é assumida de forma generalizada pela grande maioria dos formadores de opinião.
Quem pode ficar insensível ao genocídio dos palestinos, prioritariamente, das crianças e mulheres palestinos? As imagens mais hediondas deste século são as das crianças palestinas.
Me pergunto como podem os israelenses olhar para essas fotos, louvadas pela ministra do seu governo, e não sentir profunda culpabilidade pelo que estão fazendo, diariamente, com dezenas ou centenas de mortos.
Qualquer ser humano que não se escandalize por esse genocídio, que não aceite chama-lo genocídio, já’ perdeu sua sensibilidade, sua humanidade. Lula fez o óbvio e expressou nossa indignação por tudo isso. Nós nos representamos nele.
No entanto, de repente os meios de comunicação passaram a fabricar uma indignação na direção contrária. Lula teria faltado ao respeito dos judeus e de todas suas vítimas. Uma interpretação equivocada, sem fundamento, serviu para mobilizar a direita e a extrema direita, no que mais lhes agrada: encontrar eventuais erros do Lula.
Alguns já encontram as bases dos supostos erros: a improvisação do Lula. Numa atitude irresponsável, o Lula teria passado a falar do conflito mundial mais grave do mundo contemporâneo, para igualar fenômenos diferentes, ofender as vítimas e absolver os culpados.
Outro dos fundamentos dos erros se dariam por Lula ter supostamente desconhecido os sofrimentos dos judeus, que justificariam o genocídio desatado por Israel.
Nada disso se justifica à luz do que realmente Lula disse. Na analise do que ele falou, nos damos conta que Lula nem tocou na palavras holocausto.
Passada a ofensiva inicial dos meios de comunicação, quando os efeitos, no Brasil e nos outros países do mundo, revelam seus verdadeiros efeitos, tudo é positivo para o Lula.
Fica claro o caráter de fabricação artificial de uma crise, que nem existiu. Mas disso vivem os meios de comunicação. É insuportável para a direita o sucesso do Lula, como Presidente do Brasil e como líder mundial. O sucesso do Lula e o fracasso da direita e da sua mídia.
A mídia vive de buscar algum suposto escorregão do Lula, buscar desgastar sua imagem pública e, se tem sucesso, afetar sua governabilidade, sua capacidade de dirigir o país, seu prestígio, seu apoio popular.
Vive de gerar crises. Ela gera, depois já passa a entrevistar pessoas sobre a tal crise, a que tratam de dar existência, como se fosse um fenômeno real. As manchetes passam a mencioná-la. Pronto, a crise existe, o país vive em crise, o governo sofre uma crise.
Primeiro a fazer, então, é desmascarar a suposta crise, é desmontá-la. Será que existe uma crise? O país está em crise? O governo está em crise. Existe uma crise? Que crise é essa?
E, principalmente, que mídia é essa? Que papel ela tem? De informar as pessoas? De formar a consciência das pessoas? E de se constituir em eixo da oposição ao governo?

* Colunista do 247, Emir Sader é um dos principais sociólogos e cientistas políticos brasileiros

**PUBLICIDADE



Capa do dia
Capa do dia



**PUBLICIDADE


**PUBLICIDADE
Publicidade