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LADY GADA


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Publicado em 27 de fevereiro de 2024
Por Jornal Do Dia Se


* Lelê Teles

Eu não gosto muito de falar sobre o que todos estão falando, é chover no molhado.
Decidi fazer um breve comentário sobre a cow parade deste domingo porque imagino ter enxergado o que ninguém quis ver.
Aquilo não era sobre Malafaia e nem sobre Jair, era sobre Michele.
O carnagado, na verdade, foi um rito de transição.
Aquele negócio de passar uma borracha no passado e anistiar pobres coitados, faz parte da tal “fotografia para o mundo”, mas é apenas o retrato do desespero de quem se vê em um beco sem saída.
Jair já era.
Por isso que aquela rave cívica era, em verdade, um rito de transição.
Ali, Jair, o nosso estranho minotauro – metade homem, metade gado -, passou o berrante para as mãos da esposa.
Daqui pra frente, o bisonho rebanho será liderado pela Lady Gada.
Minotauro sabe que o seu destino está traçado.
Ele sabe que os militares estão a dar os últimos retoques no labirinto no qual ele será confinado.
Mitotauro tem consciência de que a gadaiada estava ali por sua causa, ele vai manter esse enorme capital político nas mãos da família.
Foi por isso que Lady Gada discursou.
“Ela fez uma oração”, dirão os mais ingênuos.
Nana nina não.
Lady Gada está encarregada de instaurar o estado teocrático de direita.
Aquilo era uma mistura de culto e comício.
Em muitas igrejas já é assim: culto e comício.
Agora a coisa ganhará as ruas, as praças e a ágora digital.
Ao discursar para o que chamou de “exército de deus nas ruas”, ela foi enfática, encenando um manjado choro sem lágrimas:
“Fomos negligentes a ponto de dizer que não se poderia misturar política com religião, e o mal ocupou o espaço.”
Lá embaixo, o gado bípede sacudia bandeiras de Israel, beijava crucifixos, dobrava os joelhos no chão e chorava.
Comício e culto.
Malafaia, virado no satanás, depois de uma fala odiosa e iracunda, que mais parecia uma sessão de desenencapetamento, pediu que a multidão gritasse amém.
Amuuuu, gritaram os boibumbás.
O mote será esse: o bem contra o mal, o fasto contra o nefasto, o puro contra o impuro.
É guerra santa.
Quando Damares, com suas fantasias parafílicas, recorreu novamente à terra do gado pesado, a ilha dos búfalos, ela tava marcando território.
Não nos esqueçamos da chocante imagem que outrora ela construíra e projetara dentro de uma igreja:
“Arrancam os dentinhos das crianças para fazer sexo oral.”
O recado é o seguinte, nossos adversários são a favor da pedofilia, nós protegemos os anjinhos marajoaras.
É a monstrificação e a demonização do outro.
É a outrificação do adversário.
Em Silvio Almeida já pegou a pecha de quem ouve o disco da Xuxa ao contrário.
Silvio é exu, Damares é zelomi, é a parteira da menina-deusa.
Aliás a fala de Lady Gada, com aquele choro canastrão e falso, é da escola de Damares.
É o apelo emocional barato, o gatilho cognitivo que evoca uma sofrência de araque.
Malafaia disse que Alexandre de Moraes mandou prender uma senhora com uma bíblia e um crucifixo na mão, só porque a pobre beata se sentou na cadeira do capa preta.
Veja que satânica crueldade.
Malafaia está a buscar uma aliança entre evangélicos e católicos, a imagem dessa carola foi evocada com esse propósito.
É guerra santa.
E tem mais, quando Jair for preso, ele será beatificado como um bezerro de ouro.
Caravanas de aposentados se deslocarão de todo.o país para o setor militar em Brasília, para orar pela liberdade do monstro encarcerado.
A palavra liberdade deixará de ser apenas uma retórica vazia na boca de quem sempre mandou e desmandou, matou e desmatou.
Ela ganhará uma horrenda forma humana, meio homem e meio gado.
Vai ter um “bom dia, presidente” versão bovina, não tenham dúvidas.
Como vamos nos blindar contra isso é uma tremenda incógnita.
A gente foi pego de surpresa, acabamos de sair de um Carnaval.
E a nossa ressaca carnavalesca veio com a macetação de conde Vlad, que anunciou, veja você, que a esquerda está morta.
Safatle, apocalipticamente, parece ter previsto a ascensão de Lady Gada e o consequente duelo entre jesus e exu.
Eles, o exército de Lady Gada, já estão nas ruas, nas redes, nas igrejas.
Rstão nas cadeias, convertendo presidiários, e nas delegacias, pervertendo policiais.
Estão nas favelas, a arrebanhar traficantes e trabalhadores.
Estão nos conselhos tutelares e em cada gol marcado e comemorado de joelhos.
E nós, onde estamos?
Essa é a pergunta fundamental de conde Vlad.
O filósofo vampiro foi direto na nossa jugular.
Palavra da salvação.

* Lelê Teles, jornalista, publicitário e roteirista

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