A dura realidade das ruas

A realidade das pessoas sem teto afiança que falta sensibilidade aos agentes públicos para fazer valer a letra da Lei

 

Moradia, oportunidade de A dura realidade das ruas trabalho, formação profissional. As necessidades da população de rua, um estrato social que cresce sem parar na capital sergipana, são conhecidas de todos, devidamente amparadas por programas sociais. A realidade concreta das pessoas sem teto, no entanto, afiança que falta sensibilidade aos agentes públicos para fazer valer a letra da Lei.

Esta semana, o Ministério Público do Trabalho em Sergipe deu a mão à palmatória, por assim dizer, reconhecendo a inoperância do poder público no estado. Em presença de diversas autoridades, a população em situação de rua falou francamente, sem rodeios, sem o artifício de meias palavras, sobre a dura realidade vivenciada ao relento, sob os viadutos e marquises.

Já era tempo. Segundo o Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal, 227 mil pessoas estavam oficialmente registradas como em situação de rua em agosto de 2023. Mas o Ipea alerta que o número não pode ser considerado como um censo oficial, pelas dificuldades que existem para fazer um levantamento fiel de todos que fazem parte desse grupo mais vulnerável.

Trata-se aqui de um drama individual, coletivo e também social. Os motivos individuais que explicam a situação de rua são vários. Além dos problemas com família e companheiros e o desemprego, são citados também alcoolismo e outras drogas, perda de moradia, ameaça e violência, entre outros.

O olhar lançado agora pelo poder público em Sergipe a um enorme contingente de cidadãos em situação de vulnerabilidade extrema restabelece o papel do estado na vida concreta das pessoas. Afinal de contas, a população em situação de rua, uma multidão de desamparados, gente de carne e osso, é formada por cidadãos em pleno gozo de todos os direitos e garantias assegurados pela Constituição.

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