Rômulo Rodrigues
As manchetes do noticiário do final de semana passado indicam cada vez com mais nitidez que a disputa eleitoral vai se encaminhando para ser um plebiscito entre os dois projetos em disputa no país.
A pesquisa BTG/FSB trouxe uma constatação que já é notória no dia a dia de toda e qualquer aglomeração, manifestação, show artístico ou ato político; a explosão do Lula-lá como uma febre da vontade democrática.
Segundo a amostra das tendências dos votantes, numa colheita de opiniões de 90% dos que tendem validar o voto, Lula aparece com 44% e a soma de todos os outros chega a 46%, com forte indicação de vitória no 1º turno.
O economista liberal e empresário Gustavo Ioshpe expressou bem um sintoma já recorrente entre uns 2 a 3 milhões dos que resolveram se comportar como shampoo de bebê em 2018, com a costumeira desculpa eivada de cretinismo: “Nas últimas eleições, eu anulei meu voto. Ambas as candidaturas me pareciam inapoiáveis. Em retrospecto, acho que errei”.
Arrependido diz: “Nunca votei no PT. Participei das passeatas a favor do impeachment de Dilma Rousseff, revoltei-me com o mensalão e o petrolão e não tenho afinidade ideológica com o partido”.
Apesar desse histórico, em outubro votarei com tranquilidade em Lula no primeiro turno. A escolha é fácil.
A pesquisa BTG/FSB ainda indica que 60% dos que afirmam votar em Ciro Gomes, podem mudar o voto para Lula, se isso acontecer, vai definir a vitória em 2 de outubro.
O sociólogo Celso Rocha de Barros escreveu sobre o ócio de Bolsonaro, o que reforça a descida do muro de Gustavo Ioshpe: “Jair Bolsonaro, não trabalha. Diante de todo problema enfrentado pelo Brasil, Bolsonaro sempre escolhe a solução em que ele não precisa fazer nada. O caso mais trágico foi o combate da pandemia”.
A realidade conjuntural que está se mostrando a cada dia e será fundamental para o Brasil, é a que fará o País voltar a ser protagonista nas agendas mundial do G-7+1 e G-20 e está estampada em manchetes dos mais importantes jornais do mundo.
A mídia alemã, por exemplo, fala em nova ordem mundial após discurso de Vladimir Putin em Teerã, onde se reuniu com Erdogan da Turquia e Ebraim Raisi do Irã.
A constatação mais real de o Brasil estar mesmo a caminho de ser protagonista na nova ordem mundial foi vista na convenção nacional do PL feita no Maracanãzinho esvaziado em que o lançado candidato à reeleição presidencial vociferou impropérios contra o STF e agressões verbais ao ex-presidente Lula, em vez de apresentar um esboço mínimo de um plano de governo, mostrando desprezo às agruras que passa a imensa parcela da população que não tem o que comer no seu dia a dia já que nem tem a esperança de se alimentar do básico para sua sobrevivência.
Dizer que Lula é ex-presidiário e cachaceiro não encobre a triste realidade de mais 670 mil mortes na pandemia e ter jogado o País de volta ao mapa da fome da ONU, com mais de 40 milhões de pessoas sem ter a perspectiva de ter uma simples refeição diária; quadro que o insultado cachaceiro havia erradicado em seus governos.
Fazendo um comparativo, podemos dizer que Lula foi preso para que não pudesse ganhar a eleição e Bolsonaro quer ganhar a eleição para não ser preso.
O quadro mais retrospectivo do atual plebiscito mostra que em 2018 Jair Bolsonaro obteve 49 milhões de votos no primeiro turno e Fernando Haddad 31 milhões; Ciro Gomes 13 milhões, Geraldo Alckmin 5 milhões e todos os outros 9 milhões de um total de 107 milhões apurados.
No segundo turno Bolsonaro cresceu 8 milhões e foi a 57 milhões e Haddad 16 milhões, indo a 47 milhões de um total de 104 milhões de votos apurados.
Diante de uma ofensiva de mentiras do tripé lava jato, mídia e Fake News e a fuga de Ciro Gomes para Paris dá para ver que Bolsonaro não era tão imbatível como o Partido Midiático incutiu na cabeça de milhões de descerebrados.
Diante do fracasso do inominado na tentativa de criar um novo partido e sua capitulação ao Centrão vai ser difícil chegar aos 36 milhões de votos, acompanhado por Ciro Gomes que dificilmente chegará a 9 milhões e Simone Tebet mais Janones que, precisam se esforçar muito para ficarem com os 5 milhões de Alckmin, deixando meros 3 milhões para os menos votados.
Como o crescimento natural em relação aos votos de 2018 aponta para números superiores a 113 milhões de votos, não é tão difícil saber de quem serão os 60 milhões ou mais, restantes.
Rômulo Rodrigues, sindicalista aposentado, é militante político.


