A esmo

Duas pessoas morreram em confronto com policiais civis e militares durante uma operação contra a comercialização ilegal de armas de fogo, munições e acessórios em Itabaiana. Cinco investigados foram presos. Entre estes, um policial militar.
O episódio é apenas mais um, entre tantos, a evidenciar como o descontrole sobre o comércio das armas de fogo interessa apenas a criminosos e corruptos. Qualquer argumento em sentido contrário redunda em ingenuidade ou cara de pau.
A bem da verdade, o problema do Brasil não é excesso de regulação sobre o porte e a posse de arma de fogo, como pregam os reacionários. É justo o contrário. Celerados, policiais e bandidos disparam a esmo, sem necessidade ou urgência. O saldo de mortos por balas perdidas sugere que o Estatuto do Desarmamento não precisava ser revogado, como fez o ex-presidente Jair Bolsonaro, patrocinador de um verdadeiro faroeste com pendor miliciano. Mas sair do papel.
Devidamente cumprido, o Estatuto do Desarmamento, aprovado há mais de uma década, seria suficiente para coibir a circulação do arsenal em mãos dos bandidos e incapazes. O problema é que a corrupção e a ineficiência da polícia, o abandono das fronteiras nacionais, largadas ao Deus dará, criaram a oportunidade necessária para a exploração criminalidade.

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