A história da agricultura em Sergipe (IV)

* Manoel Moacir Costa Macêdo

Continuidade dos registros da história da agricultura sergipana, publicados pelo engenheiro agrônomo José Belém de Carvalho, de tradicional família sergipana, na obra “História da Agricultura em Sergipe 1860 – 1968”. Nasceu no município de Riachuelo, filho de José Antonino de Carvalho e Mariana Belém de Carvalho. Engenheiro agrônomo pela Centenária Escola Agrícola da Bahia, em Cruz das Almas, na década de quarenta.
Os registros não seguem metodologias e nem cronologias. Eles são seletivos, transcritos e livres de arranjos científicos. Fatos do passado vinculados ao presente e o futuro. Alguns são curiosidades dos Séculos XIX e XX e expressam o padrão de sociedade. Na época, uma agropecuária escravocrata e carente de tecnologia, mas com profundas inserções sociais, econômicas e políticas.

1. 1915. “Foram concedidos prêmios para cultura do coqueiro, sessenta réis por cada pé de coco” [o incentivos estatais não são recentes, mas estruturais nas relações do setor privado com o Estado]. Outro fato relevante que chama a atenção foi a importação em “diversas quantidades de Cactus Burbans (Palma), por serem resistentes a seca e não terem espinhos” [providências ainda por vir na atualidade];

2. 1925. “Chagaram, para o Centro Agrícola, 21 famílias de colonos alemães, como 83 pessoas, para trabalharem no campo” [não são evidentes na atualidade a contribuição desses imigrantes europeus na história da agricultura sergipana];

3. 1926. “Realizou-se, nesta capital, a 1ª semana das galinhas com apresentação de criatórios do Governo e particulares ao lado de palestras com ensinamentos e estímulos técnicos” [na época, a linguagem era criação de galinhas, na atualidade, avicultura e criação de frangos];

4. 1934. Inacreditável. “Uma boiada descida do navio, três garrotes ao serem instigados por um doqueiro, correram atrás dos mesmos, subindo as escadas do prédio e foi pelos garrotes, acompanhados até o escritório no 1º andar [um cenário apocalítico para a época e para hoje];

5. 1920. “Iniciando os trabalhos de mecanização do solo, Sergipe importava, nesse ano, os três primeiros tratores distribuídos para usineiros e para o Posto Zootécnico de Ibura e Horto Botânico do Tipo Mogul” [inexistia tecnologia poupadora de mão-de-obra, e os tratos culturais eram efetuados pelos braços humanos e pela força animal];

6. 1923. “Pela Lei Estadual nº 837, foi fundado o Banco Estadual de Sergipe, para empréstimos à lavoura, a juros módicos e sobre hipotecas vencíveis dentro de 15 anos e a nove por cento sobre as demais operações agrícolas” [as desonerações e incentivos públicos à produção agrícola brasileira é secular].

* Manoel Moacir Costa Macêdo, é engenheiro agrônomo e advogado.

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