Sem Ricardo, novo governador pode ser conhecido no domingo

Fábio Mitidieri pode vencer no primeiro por falta de adversários, não por fazer uma boa gestão. Sua administração é medíocre, com falhas em áreas estratégicas, principalmente na Educação

A saída de Ricardo Marques (PL) da eleição pode fazer com que a disputa pelo governo de Sergipe seja decidida logo no primeiro turno, neste domingo (4), entre os candidatos
Fábio Mitidieri (PSD) e Valmir de Francisquinho (Republicanos). Isso porque os outros candidatos que continuam no páreo – Dr Helton e Taty Cristina de Jesus (DC) – apresentam índices irrelevantes nas pesquisas.
Na quarta-feira (1º), Emanuel Cacho (PSDB), que também tinha baixo percentual, anunciou a desistência e apoio a Valmir. Mesmo caminho seguido por Ricardo, conforme anúncio feito na noite de quinta.
As últimas pesquisas CATS e W1 para o governo de Sergipe divulgadas também na quinta confirmam a possibilidade. Resultado da W1 no cenário estimulado: Fábio Mitidieri (PSD): 48,13%, Valmir de Francisquinho (Republicanos): 34,63%, Ricardo Marques (PL): 6,63%, Dr. Helton (PSOL): 0,75%, Emanuel Cacho (PSDB): 0,38% e Taty Cristina de Jesus (DC): 0,25%. Brancos e nulos: 5,23%. Em votos válidos Fábio registra 53,03%. Resultado da CATS: Fábio 46,2%, Valmir 24,1% e Ricardo 3%.
Ricardo Marques foi inabilitado a participar do pleito em função da renúncia do seu candidato a vice, Érico Menezes. O prazo para a substituição de candidatos acabou em 14 de setembro. Apesar desses fatos, os nomes de Ricardo e de Cacho vão aparecer na urna eletrônica, que já estavam preparadas.
Érico fez críticas ao ex-companheiro de chapa Ricardo Marques (PL). Disse que Ricardo não foi sincero com ele, que contribuiu para o agravamento da crise interna do partido e não atuou para promover a união dentro da legenda.
Relatou desentendimentos relacionados à participação em atos de campanha e que Ricardo queria que os R$ 300 mil do fundo eleitoral depositados na sua conta [Érico} fossem transferidos para a produtora, quando gostaria, assim como Luizão Dona Trumpi, que parte desses recursos fossem gastos com combustível e contratação de pessoal para segurar bandeiras e distribuir material de campanha.
Érico também afirmou que passou a desconfiar de articulações políticas envolvendo Ricardo e Valmir de Francisquinho, e depois teve essa confirmação por uma pessoa ligada ao candidato do Republicanos.
Fábio Mitidieri pode vencer no primeiro por falta de adversários, não por fazer uma boa gestão. Sua administração é medíocre, com falhas em áreas estratégicas, principalmente na Educação. Em greve desde o último dia 8, os professores da rede estadual continuam protestando. Mitidieri insiste em não cumprir decisão do Supremo Tribunal Federal mandando restabelecer a carreira do magistério. Os professores também condenam a recusa do governador e candidato à reeleição em retomar o diálogo com a categoria.
Quando não negocia com os professores, o governador mostra desprezo com as famílias dos 150 mil alunos da rede pública estadual, que podem até perder o ano letivo. A conversa com a categoria não provocaria qualquer gasto adicional aos cofres do estado, já que teria apenas que cumprir uma decisão do STF.
O governador foi extremamente beneficiado com o apoio do PT, patrocinado pelo senador Rogério Carvalho, seu adversário nas eleições de 2022 e que tenta uma reeleição mais fácil. Na disputa passada Mitidieri enfrentou um difícil segundo turno e obteve 51,70% dos votos contra 48,30%. Na época, Fábio Mitidieri perdeu no primeiro turno, mas foi favorecido com o uso das máquinas estadual – o governador era seu ex-aliado Belivaldo Chagas -, da prefeitura de Aracaju comandada por Edvaldo Nogueira e de quase todas as prefeituras do interior.
O último candidato a governador que venceu no primeiro turno foi Jackson Barreto, em 2014, conquistando 53,52% contra 41,37% de Eduardo Amorim. Antes, Marcelo Déda havia derrotado João Alves Filho em 2006 e 2010 também em primeiro turno.
As últimas movimentações eleitorais mostram que há mesmo a possibilidade de o pleito ser definido no primeiro turno.
(A pesquisa do Instituto CTAS foi realizada entre 24 e 28 de setembro, ouviu 1.224 eleitores em 50 municípios, tem margem de erro de 2,8 pontos percentuais e está registrada na Justiça Eleitoral sob o número SE-04019/2026. A W1 foi realizada entre os dias 26 e 29 de setembro, com 800 entrevistas presenciais em municípios de todas as regiões de Sergipe. Margem de erro de 3,5 pontos percentuais e nível de confiança de 95%. Está registrada no TSE sob o número SE-04518/2026).
Pintura sobre tela do artista sergipano João Bosco

Números para o Senado

As duas pesquisas também confirmaram um equilíbrio na disputa para o Senado. Resultado da W1, com o voto consolidado na 1ª e 2ª vaga: André Moura (18,38%), Delegado André Davi (16,31%), Rogério Carvalho (15,25%), Delegado Alessandro (14,38%), Eduardo Amorim (7,06%), Edvaldo Nogueira (6,63%) e Rodrigo Valadares (6,38%). Pela CTAS, André aponta com 22,6% dos votos válidos no consolidado do primeiro e do segundo voto.
A disputa para o senado deve reservar emoções que faltam na eleição para o governo do estado.

Candidato vira-lata

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reforçou a falta de comprometimento da família Bolsonaro com o Brasil e a submissão aos Estados Unidos, chamando o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que disputa a Presidência da República, de “vira-lata” em entrevista ao Flow Podcast, na noite de quinta-feira (1º).
“O meu adversário é um vira-lata. Mandou o irmão pra lá [para os Estados Unidos] pra falar mal do Brasil”, disse, referindo-se à atuação do ex-deputado Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, onde mora desde fevereiro de 2025.
Ao ser questionado sobre o deputado cassado Eduardo Bolsonaro, o presidente subiu o tom: “É um vira-lata, é traidor da pátria, acabou de ser expulso da Polícia Federal. E vai ser preso”.
Eduardo Bolsonaro já foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por conspirar contra o país, trabalhando nos EUA para que o governo de Donald Trump impusesse o tarifaço contra o Brasil e impusesse punições a ministros da própria Corte, em retaliação às investigações que acabaram por condenar seu pai, Jair Bolsonaro, por tentativa de golpe de Estado.
Lula também citou a relação de Flávio e Eduardo com o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, que enviou ao menos 10,6 milhões de dólares a um fundo sediado nos EUA para financiar o filme Dark Horse, sobre a vida de Jair Bolsonaro, por intermédio direto de seu filho Flávio.
Há suspeitas de que o dinheiro estivesse sendo usado, na verdade, para bancar a permanência de Eduardo no país. “Esse dinheiro do filme que ele fala […] é um dinheiro pra mandar pro irmãozinho nos Estados Unidos ficar falando mal do Brasil”, afirmou o presidente.

Ataques a santa

Caiu como uma bomba na campanha do candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) a informação de que setores evangélicos ligados ao senador defendem a retirada do título de Padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida. O próprio candidato classificou a informação como falsa, mas há registros públicos que mostram que a discussão existe e não começou agora.
Nossa Senhora Aparecida foi declarada oficialmente Padroeira do Brasil pelo papa Pio XI, em 1930. Em 1980, durante a visita do papa João Paulo II ao país, o dia 12 de outubro foi instituído por lei federal como feriado nacional.
A proposta de retirar o reconhecimento nacional da santa existe desde 2007 e permanece sem aprovação no Congresso. Ao longo dos anos, também foram registradas manifestações de lideranças evangélicas defendendo a retirada do título.
O projeto, portanto, não produziu nenhuma mudança na condição de Nossa Senhora Aparecida como Padroeira do Brasil. A santa continua com o título oficial e o feriado de 12 de outubro permanece no calendário nacional. O que existe é uma proposta legislativa antiga, que não avançou, e manifestações públicas favoráveis à retirada do reconhecimento.

Denúncias eleitorais

Às vésperas do primeiro turno das eleições, a Justiça eleitoral continua recebendo denúncias de propaganda irregular. Até o momento, 51.395 notificações foram feitas por meio do aplicativo Pardal, sistema eletrônico criado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para receber esse tipo de ocorrência.
Criado há 10 anos pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o Pardal permite o registro de ocorrências em todo o país. Podem ser encaminhadas irregularidades como propaganda eleitoral antecipada, compra de votos, uso da máquina pública, abuso de poder e uso indevido dos meios de comunicação.
Entre as denúncias, o principal tipo, responsável por 43,78% dos registros, é de propaganda irregular ou fora dos padrões em vias públicas. Em seguida, aparecem propagandas irregulares em propriedades particulares (11,94%), como pinturas de muros fora dos padrões aceitos pelo TSE, e publicidade em bens públicos, como murais em prédios públicos ou publicidade institucional.
Durante o período eleitoral, esse tipo de publicidade só é permitido em situação excepcional e com autorização da Justiça Eleitoral.

Regionalização

Edvaldo Nogueira (PDT-SE) defendeu o processo de regionalização dos serviços de saúde em Sergipe. O candidato ao Senado propõe fortalecer a estrutura dos hospitais regionais, ampliando a oferta de Unidades de Terapia Intensiva (UTIs), além de criar clínicas especializadas para que os pacientes possam realizar tratamentos em suas próprias regiões, reduzindo a necessidade de deslocamento para Aracaju. “Ainda é preciso regionalizar mais a saúde para desafogar cada vez mais Aracaju da pressão por tratamentos”, afirmou.

Ordem de votação

No primeiro turno, o eleitor deverá seguir a seguinte ordem:
Primeiro, vota para deputado federal (quatro dígitos).
Em seguida, é a vez de votar para deputado estadual ou distrital, no caso do DF (cinco dígitos).
Na sequência, aparece a tela para votar na primeira vaga para senador (três dígitos).
Assim que a urna computar este voto, o eleitor vota novamente para senador (três dígitos).
Na sequência, escolhe o governador do seu estado (dois dígitos).
E, por fim, vota para presidente da República (dois dígitos).
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