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A invisível realidade dos “Moradores de Rua” no Brasil


Publicado em 06 de julho de 2024
Por Jornal Do Dia Se


Gregório José

O rosto anônimo do homem deitado sob a marquise de um prédio qualquer é um reflexo cruel de uma realidade que insistimos em ignorar: a vida nas ruas. O Brasil, país de contrastes e desigualdades, é palco de um drama silencioso vivido por milhares de pessoas em situação de rua. A última Pesquisa Nacional sobre a População em Situação de Rua, realizada entre 2007 e 2008 pelo Ministério do Desenvolvimento Social, revela um retrato alarmante dessa população heterogênea e marginalizada.
Os dados são contundentes. Homens jovens compõem a maioria desse grupo, representando 82% do total. Destes, 27,1% têm entre 26 e 35 anos, uma faixa etária que deveria estar no auge de sua produtividade. As mulheres, embora minoria, também são vítimas dessa dura realidade, com 31,06% delas na mesma faixa etária dos homens. Essas estatísticas são mais do que números; são vidas interrompidas, sonhos desfeitos e esperanças sufocadas pelo desamparo.
A cor da pele também revela disparidades gritantes. Quase 40% dos moradores de rua se autodeclararam pardos, enquanto 27,9% se identificam como pretos. Quando combinamos esses números, percebemos que 67% das pessoas em situação de rua são negras, um índice significativamente superior à representação desta população no Brasil. A rua, portanto, não só expõe a vulnerabilidade econômica e social, mas também é um reflexo das desigualdades raciais que permeiam nossa sociedade.
Os motivos que levam essas pessoas às ruas são complexos e multifacetados. O alcoolismo e o uso de drogas (35,5%), a perda de emprego (29,8%) e os conflitos familiares (29,1%) emergem como as principais razões. Muitas vezes, esses fatores se entrelaçam, criando um ciclo vicioso do qual é difícil escapar. Ainda mais perturbador é o dado de que quase metade dessa população (48,5%) vive nessa condição há mais de dois anos, transformando uma situação temporária em um estado permanente de exclusão.
Contrariando o estereótipo de que os moradores de rua são indivíduos improdutivos, a maioria deles trabalha. Cerca de 70,9% exercem alguma atividade remunerada, mesmo que seja no setor informal, como catadores de materiais recicláveis ou flanelinhas. Esses números nos forçam a refletir sobre a precariedade e a falta de oportunidades que empurram tantos para a vida nas ruas. Enquanto não reconhecermos a humanidade e a dignidade de cada indivíduo que vive nas ruas, estaremos falhando como sociedade. É hora de abrir os olhos e os corações para aqueles que, invisíveis, clamam por uma chance de recomeçar.

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* Gregório José, Jornalista/Radialista/Filósofo

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