A mulher negra

Na letra da Lei, a mulher brasileira é senhora de todos os direitos. Na prática, contudo, no dia a dia das jornadas de trabalho duplicadas, em ambiente doméstico e profissional, a equidade salarial muitas vezes não passa de letra morta. Em especial, no caso de mulheres negras.
Pesquisa do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV) aponta que, no primeiro trimestre de 2023, a remuneração média das mulheres negras era de R$ 1.948, o que equivale a 48% do que homens brancos ganham na média, 62% do que as mulheres brancas recebem e 80% do que os homens negros ganham.
Os números são claros, apontam a extensão do problema: é preciso investir em educação, como instrumento de promoção da igualdade. Apenas 6% das mulheres negras que ingressam no ensino de terceiro grau concluem a graduação. Não é à toa, portanto, que a maioria delas seja vítima da informalidade e da precarização.
A constatação não surpreende. O Brasil tem uma das taxas mais baixas do mundo no que diz respeito à representação política feminina. No Congresso Nacional elas são apenas 92 deputadas, num universo de 513 representantes eleitos por voto direto, e ocupam apenas quatro das 81 cadeiras do Senado Federal. Mulheres negras no primeiro escalão da República, em âmbito executivo e legislativo, por sua vez, são tão raras a ponto de serem ignoradas até pelas estatísticas.

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