A gestão do sistema de distribuição elétrica na cional reflete de maneira direta na saúde de bilitada do Baixo São Francisco. Mais das vezes, as reuniões periódicas realizadas a fim de determinar a vazão das usinas hidrelétricas observam somente o volume de água represado nos reservatórios, alheio a qualquer dado não relacionado com a geração de energia.
Por ora, os reservatórios estão cheios. Tanto é assim que o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) propôs o aumento da vazão na usina hidrelétrica de Xingó (AL/SE), passando de uma defluência média semanal de 800 m³/s para 1.000 m³/s até o fim de janeiro. O objetivo é compensar a queda na geração de energia eólica no Nordeste. Como sempre, os interesses econômicos têm prioridade.
Infelizmente, o estado calamitoso do Rio São Francisco está longe de atrair a atenção da sociedade civil para os debates relacionados ao uso das águas no Brasil. O grosso da população só se dá conta quando passar por uma crise de abastecimento, como ocorreu há alguns anos, em São Paulo. Sem voz nem influência política, longe da maior cidade da América Latina, as populações ribeirinhas, completamente dependentes dos recursos naturais, definham.
Enquanto não faltar água nas torneiras, a maior parte da população tomará o precioso líquido por um recurso natural inesgotável. Até lá, a participação social na batalha pelo uso comum das bacias hidrográficas e a revitalização das nascentes dos rios estará restrita aos ribeirinhos, os primeiros a sentir na pele a força dos interesses em conflito sob o status impessoal da questão hídrica.


