A solidão de Edvaldo

Edvaldo foi barrado no palanque de Mitidieri (Divulgação)

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br

Mulher de malandro é personagem fadado ao esquecimento. Hoje, por excelentes razões, já não se vê com bons olhos a devotada submissão das recatadas senhoras de antanho.

Justamente agora, quando a reciprocidade é regra desejável em qualquer relação, Edvaldo Nogueira aparece com a cara lisa de uma Amélia. Refiro-me às reiteradas declarações de amor endereçadas a Fabio Mitidieri. Questionado a respeito da confluência de projetos, ele e o governador de Sergipe, o ex-prefeito de Aracaju se mostra um homem despido de vaidade, sem sangue nas veias, sem orgulho, sem brio.

Pré-candidato ao Senado, Edvaldo foi barrado no palanque de Fabio Mitidieri, todo mundo sabe. Mesmo assim se desmancha em elogios ao aliado relutante.

Relutante, sim. Não parece ter sido de bom grado, por exemplo, que o governador bancou a candidatura fracassada de Luiz Roberto Dantas à Prefeitura de Aracaju, após indicação de Edvaldo. Ao contrário do próprio Luiz Roberto e seu candidato a vice, Fabiano Oliveira, o ex-prefeito também não foi agraciado com as sinecuras reservadas aos amigos do Rei.

Isso de Mitidieri lhe negar apoio e palanque em um projeto eleitoral, como veio a ocorrer, é apenas mais uma das curvas dobradas em longa e sinuosa via de mão única, percorrida a pé por um ex-prefeito solitário, sem palanque, sem aliados leais, descartado, só ele e Deus.

Edvaldo talvez ainda tenha votos, isto só as urnas poderão dizer. Por certo, há o papelão representado perante o governador. Não cai bem. Amélia, como conheceram Mario Lago e Ataulfo Alves, não há mais.

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