Iran Barbosa pode fazer mais

(Divulgação)

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br

Eu espero muito do mandato conquistado nas urnas pelo vereador Iran Barbosa, admito. Talvez espere demais. Mas proposituras como a criação de um dia disso, outro daquilo, com pedágio identitário e tudo, não diferem em nada dos títulos concedidos a torto e direito, tão comuns no parlamento tupiniquim. E, assim, recompensam as maiores expectativas com um banho de água fria.
Iran Barbosa não é um neófito das tribunas locais, sabe muito bem do efeito nulo de tais proposituras. Na Assembleia Legislativa de Sergipe, por exemplo, ele foi o autor da Lei nº 9.042/22, instituindo o Dia da Forrozeira e do Forrozeiro em âmbito estadual.

Aprovada, sancionada, em pleno vigor, a tal efeméride tem serventia nenhuma. Mesmo assim, Iran Barbosa insistiu na mesmíssima propositura, desta vez na Câmara Municipal. Aprovado ou não, sancionado ou não, o texto do agora vereador, fruto do copia e cola, terá o mesmíssimo efeito do documento original: nenhum.

A irrelevância não o constrange. Na Câmara, Iran Barbosa já protocolou Projeto de Lei que institui o Dia da Etnia Cigana no município de Aracaju, a ser comemorado, anualmente, no dia 24 de maio. O objetivo, ele alega, é dar visibilidade ao povo cigano e valorizar a sua Cultura.

Agora, o vereador do PSOL volta à carga, desta vez para propor a criação de um Dia do Fonoaudiólogo. A justificativa é tão enfadonha quanto previsível. Trata-se de aceno classista, irrelevante. Não vai mudar a vida de ninguém.

Melhor proveito tem o mandato da deputada estadual Linda Brasil, cria do mesmo PSOL onde o vereador Iran Barbosa foi buscar abrigo após uma vida inteira de militância no PT. Alheia aos ritos inúteis da mise-en-scène parlamentar, ela recolhe assinaturas a fim de instaurar a CPI da Iguá. Em sua torneira, eu aposto, ainda não faltou água. Mas a deputada sabe que o seu mandato pertence a eleitores cobertos de suor, com a lata equilibrada na cabeça nos quatro cantos de Sergipe.

Eu espero muito do professor Iran. A proposta de homenagens cartoriais, merecidas ou não, está ao alcance de qualquer vereadorzinho, com ênfase no diminutivo, acostumado à vida boa da Câmara Municipal. Dos poucos, ali, com real compromisso com a população de Aracaju, espera-se que façam a diferença.

 

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