Rian Santos
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Falta de aviso, não foi. Recém-eleita, a prefeita Emília Corrêa não escondeu o interesse no Centro de Aracaju. Isso de enxotar os deserdados da sorte, sob a escolta da Guarda Municipal (segundo a Constituição Federal, o braço armado do município não tem poder de polícia pleno, nomenclaturas à parte), pegou mal.
Refiro-me, claro, ao deslocamento de cidadãos em situação de rua acampados no coração da cidade para longe das vistas da prefeita. Era mais ou menos previsível. Inesperado foi o escândalo – viral!
Alguma providência era mesmo necessária. Em regra, no imaginário muito limitado do senso comum, mendigos são feios, fedem. Não combinam com o asfalto novinho em folha com o qual a prefeita pavimentou as vias centrais da capital sergipana. A estratégia da Prefeitura, no entanto, deixou a desejar.
Há precedentes, aliás. O episódio ocorrido na Feira do Centro macula a gestão da prefeita Emília Corrêa, muito ciosa de uma boa avaliação popular. A Guarda Municipal estava lá apenas para oferecer o suporte necessário aos fiscais da Emsurb, encarregados de orientar os comerciantes sobre a disposição inadequada de sua mercadoria. A truculência dos agentes de segurança, no entanto, revelou o despreparo no trato com a população.
A gentrificação do Centro de Aracaju está em curso. Quando a Prefeitura resolveu botar ordem no comércio ambulante realizado nas ruas centrais da capital sergipana recebeu o aplauso reconhecido de todos, este Jornal do Dia incluído. Depois, após abordagem tão desastrada, no entanto, fez por merecer também todas as críticas e reclamações. As sucessivas polêmicas envolvendo a Guarda de Emília fazem crer num grave problema de gestão. E o Centro, neste contexto, passa longe de simples cenário.


