Sob o pretexto de uma exposição

Evento finíssimo!(Reprodução)

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br

Poucos se deram conta. Mas uma revolução silenciosa está em curso na Galeria de Artes Álvaro Santos (GAAS). Ali, onde todos os últimos prefeitos de Aracaju erraram, a gestão de Emília Corrêa surpreende e faz bonito.

Volto ao tema, em função do convite para conferir a mostra François Hoald – o tropicalista dos pincéis, com curadoria da arquiteta Ana Libório e expografia do também arquiteto Wesley Lemos.
Evento dos mais finos, como se vê nas assinaturas da ficha técnica. Desde quando a direção do espaço foi entregue a Jaci RosaCruz, aliás, tem sido assim.

Antes de Jaci assumir a GAAS, o prédio modernoso fincado numa quina da praça Olímpio Campos esteve largado às moscas. O vislumbre de um papel social a ser desempenhado pela GAAS, contudo, tem muita razão de ser.

Entendido como um ambiente vivo, um lugar de convivência e emergência de novas sensibilidades, o cubo branco amplia as suas possibilidades exponencialmente.

Esta não é uma ideia nova, está ligada à vanguarda carioca dos anos 50, quando o exercício artístico brasileiro ganhou expressão mundial e registro criterioso do crítico Frederico Morais.

Frederico intuiu e dedicou todo o seu trabalho à defesa daquele que se tornaria um dos pilares desejáveis da gestão cultural nos dias correntes: a democratização do acesso e produção dos bens de natureza artística.

Para Frederico, trata-se de uma causa libertária, em sintonia com os bons ventos da emancipação humanística:
“O poeta-suicida Maiakovski afirmava que “a arte não é para a massa desde seu nascimento. Ela chega a isso ao fim de uma soma de esforços. É preciso saber organizar a compreensão”. Entendo que organizar a compreensão é criar condições para que todos possam exercitar sua liberdade criadora, treinar continuamente sua percepção. Pois a arte tem por objetivo ativar todos os sentidos do homem, criando-lhe condições para melhor captar ou mesmo antecipar os novos ambientes. Trata-se, portanto, de um problema de ordem geral, de cada indivíduo, de cada professor, crítico ou artista, das instituições culturais. É problema de Governo”.

É fiado nas palavras do Mestre Frederico que afirmo: uma revolução silenciosa esta em curso na GAAS. A julgar pelo silêncio da comunicação oficial, nem mesmo a Prefeitura de Aracaju parece ter se dado conta. Ainda bem.

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