O Brasil ainda possui 4,6 milhões de trabalhadores desalenta dos, número que deveria ser expressivo o bastante para con ter o entusiasmo desmedido com o ligeiro aquecimento do mercado de trabalho nacional. De fato, o desemprego arrefeceu um pouco, ao longo dos últimos meses. Mas o céu de brigadeiro alardeado pelos arautos do liberalismo, patrocinadores das reformas promovidas pelo governo federal, é realidade para muito poucos.
No Pará, apenas 52,6% dos trabalhadores estão resguardados pela carteira assinada. No Amapá, 37,3% trabalham por conta própria. Em um país onde 2,9 milhões de pessoas aguardam uma oportunidade há dois anos, ou mais, francamente, não há o que comemorar.
Os números do mercado de trabalho não inspiram nenhuma festa. A informalidade é gigantesca, alcança estupefacientes 41,1% da população ocupada. As taxas de desocupação também preocupam. As maiores foram observadas na Bahia (16,4%), Amapá (15,6%), Sergipe e Roraima (14,8%).
Os dados aqui elencados foram divulgados ontem, referem-se ao trimestre encerrado em dezembro passado, constam da PNAD Contínua auferida regularmente pelo IBGE. É o retrato mais confiável e atual do mercado de trabalho nacional, revelador do drama vivido na pele por cerca de 12 milhões de brasileiros.
A verdade nua e crua nem sempre é bela, raramente se revela conveniente para os donos do poder. Já foi afirmado, neste mesmo espaço: A tendência de queda no número de desempregados pode dar a impressão de que, durante a gestão de Bolsonaro, o Brasil entrou de novo nos eixos. Pura mistificação. Em verdade, a média de trabalhadores a procura de uma oportunidade ainda é tão grande quanto no auge da crise.


