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AGRICULTURA BRASILEIRA E GEOPOLITICA MUNDIAL [I]


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Publicado em 16 de setembro de 2023
Por Jornal Do Dia Se


* Pedro Abel Vieira e Manoel Moacir Costa Macêdo

Na geopolítica mundial, o Brasil é um reconhecido ator no concerto das Nações. As referências não são as mesmas do passado, a exemplo dos cruéis conflitos por territórios, minerais e especiarias, tal qual os Impérios no passado, e os retardatários Estados-nações no presente
Na atualidade, as conquistas são outras. Não são ideologias e nem materiais, mas o estratégico papel na sobrevivência da humanidade. As armas são comida, florestas, água, biodiversidade e cuidados com a natureza. As baixas dos seres não são pelas baionetas e espadas frias, mas pela fome, desastres ambientais e mudança climática.
Uma guerra fria aquecida pelo aumento da temperatura do planeta, com capacidade de destruição em massa dos seres vivos viventes na Terra. Não são mísseis e tanques, mas a brutalidade do consumo humano, excessos e desperdícios, na capitalismo predador, alimentado pela extrema desigualdade entre os desenvolvidos e subdesenvolvidos.
Nessa contingência, não existem soluções individualizadas, mas coletivas. Ou salvam todos, ou perecem todos, em particular os mais pobres e desiguais -, a maioria da humanidade. Não são apelos místicos e futuristas, mas comprovações científicas em sua positividade. Congressos, conferências, encontros e publicações entre outras expressões acreditadas, produzem diagnósticos alarmantes.
Organizações governamentais e não-governamentais, nacionais e internacionais, a exemplo da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), atribuem ao Brasil significativo papel no suprimento global de alimentos. Mais de uma centena de países e um bilhão de humanos dependem da comida produzida no Brasil, exportada nos elos das cadeias agroalimentares, grãos e carnes.
A trajetória da agricultura brasileira construiu as condições básicas para suportar essa missão. Organizações de ciência, tecnologia, assistência técnica e crédito estatais, contribuíram para às pujantes produções agrícolas, a exemplo da atual safra estimada em trezentos e vinte milhões de toneladas de grãos. Contudo, se, por um lado, a tarefa de contribuir para a alimentação global é uma oportunidade exitosa, a problemática ambiental, econômica e social, evidenciam relevantes desafios.
Nas dimensões econômica e social, a participação do Brasil na produção mundial de grãos, especialmente soja e milho, carnes, celulose, fibras e frutas, mostram sistemas produtivos eficientes e competitivos no ambiente da economia global. No entanto, restrições estão a merecer atenção. Desigualdade na distribuição de renda, bens e serviços. Redução na geração de emprego no pelo setor agropecuário, de 22 para 18% nos últimos cinco anos. Alerta aos limites do seletivo crescimento. Nos anos setenta a noventa, foi louvada, a abertura de novas fronteiras agrícolas, a exemplo do bioma Cerrado, ocasião em que não foram considerados os cuidados ambientes e a proteção da estratégica flora, fauna e recursos hídricos.
Os passivos ambientais e sociais realçam a bravura da natureza. Secas, enchentes, desmatamento e até ciclones, evidenciam a força da dimensão ambiental. Constrangimentos ambientais ultrapassam as fronteiras nacionais, a exemplo da atenção à Amazônia, para deslocar ao topo da geopolítica mundial. Um renovado modelo de produzir e consumir são exigências postas pelo padrão de consumo esclarecido no mercado global.
Exemplo do passivo ambiental no Brasil são os cem milhões de hectares de terra degradados, por ações humanas irresponsáveis em regiões e sistemas agrícolas, as atuais “pastagens degradadas”. Elas apresentam baixos índices de produtividade e sujeições ao meio ambiente. Soluções existem, e são genuinamente brasileiras, a exemplo da Integração, Lavoura, Pecuária e Floresta (ILPF).

* Pedro Abel Vieira e Manoel Moacir Costa Macêdo são engenheiros agrônomos.

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