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AGRICULTURA BRASILEIRA E GEOPOLITICA MUNDIAL [II]


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Publicado em 23 de setembro de 2023
Por Jornal Do Dia Se


* Pedro Abel Vieira e Manoel Moacir Costa Macêdo

Fome e mudança climática. Alimento e meio ambiente. A pauta da humanidade. Fenômenos visíveis aos comuns. Constrangimentos e soluções possíveis, necessárias e urgentes. Enchentes, aquecimento global, desmatamento, ciclones, secas, áreas degradadas e as recorrentes tragédias. Não são pecados dos deuses, mas dos humanos. Não são castigos, mas consequências de um padrão antropocêntrico, consumista e acumulador, que coloca a natureza em plano secundário.
O Brasil “bonito por natureza, coração do mundo e pátria do evangelho” é um estratégico protagonista nessa pauta, internamente e na geopolítica mundial. Possuímos a vergonhosa fome, mas produzimos comida abundante para alimentar os nacionais e parcela expressiva da humanidade. Albergarmos a maior floresta tropical do planeta e com ela biodiversidade, rios de chuvas e água doce.
Os biomas emprestados do Cerrado, Pampa, Pantanal, Mata Atlântica, a genuína Caatinga e a cobiçada Amazônia, colocam o Brasil no topo da geopolítica mundial, em duas frentes: produção de comida e mudança climática. No caso da relevante e simbólica Amazônia, não se trata de adaptar o padrão da produção agropecuária vigente, mas, desenvolver específicos modelos agrícolas, respeitando os limites ambientais, sociais e históricos dos viventes nesse bioma. Tarefa de longo prazo, que requer ciência, humanismo, soberania e investimentos.
Uma pergunta é inexorável: o que fazer no curto prazo para atender as expectativas locais e globais?A resposta está na mitigação de passivos ambientais do passado, em especial, a adequação produtiva das áreas degradadas, área superior à em uso produtivo.
A recuperação da produtividade dessas áreas emerge como um enorme desafio para ampliar a produção de alimentos de maneira sustentável, zerar o desmatamento e ainda ampliar às áreas de conservação ambiental. Estratégia para restaurar a capacidade produtiva do solo, com impacto positivo nas emissões de gases de efeito estufa, conservação da biodiversidade e proteção dos recursos hídricos, entre outros serviços ambientais.
Na perspectiva da produção vis-à-vis à sustentabilidade ambiental, econômica e social na geopolítica, é imperativo o emprego de políticas sustentáveis nos processos produtivos. Iniciar pelo Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC), infraestrutura apropriada, respeito à história dos povos originários, e acompanhamento rigoroso dos impactos ambientais e socioeconômicos.
Ao final, é indispensável a execução ainda no curto prazo de propostas objetivas, com metas, resultados e alocação de valores, para transformaras áreas degradadas em sistemas agrícolas sustentáveis, inclusive, com áreas exclusivas à preservação ambiental. Apenas o Brasil, possui esses mecanismos e em dupla via, a da produção e da preservação.

* Pedro Abel Vieira e Manoel Moacir Costa Macêdo são engenheiros agrônomos

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