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Quem seriam o advogado e o padre de quem Mauro Cid não se lembra?


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Publicado em 23 de setembro de 2023
Por Jornal Do Dia Se


* Fernando Castilho

A notícia é quentíssima para nós e tenebrosa para Bolsonaro.
Mauro Cid delatou que o ex-presidente recebeu uma espécie de minuta golpista, que pode ser aquela encontrada na casa do ex-ministro Anderson Torres e convocou uma (pelo menos uma) reunião com os comandantes das Forças Armadas. Estariam presentes um advogado e um padre que, estranhamente, Cid não se lembra quem eram.
Admitindo que é pura especulação, mas com boa possibilidade de ser verdade, ouso dizer que o advogado era Ives Gandra Martins, aquele que fez uma interpretação do artigo 142 da Constituição como manda o figurino para o golpe de estado impetrado pelas Forças Armadas e o padre, Paulo Ricardo, um fascista de batina, famoso em seu canal por defender a aniquilação de quem pensa diferente..
Caso a delação de Mauro Cid seja comprovada, aí está a tentativa de golpe com todas as suas 5 letras, consubstanciada no simples ato de Bolsonaro chamar os comandantes do exército, da marinha e da aeronáutica, fora da agenda, para consultá-los. Esclarecendo ainda que tentativa de golpe de estado é crime, mesmo que o capitão afirme que pensar em golpe não é contra a lei.
Imagino a cena. O ex-presidente recebe os comandantes, mostra a minuta e vai logo perguntando: “e aê? Bora dá um golpe pra gente manter as mamatas pra todos? Muito cargo no governo, picanha, uísque e viagra! Bora?”
O único que topou na hora foi o comandante da marinha, almirante Garnier. “Bora, presidente!” Os outros dois, provavelmente pediram um tempo pra pensar.
Nesta altura, é preciso lembrar que em março de 2021, Bolsonaro trocou os comandantes das Forças Armadas e o próprio ministro da defesa por nomes mais favoráveis a ele, com os quais ele contava para a tentativa de golpe que estava urdindo e que culminou naquele fatídico 7 de setembro de 2021. Foi naquele dia que quase perdemos o Brasil. Neste ponto, recomendo a leitura de outro texto de minha autoria, escrito em abril deste ano: https://bloganaliseeopiniao.blogspot.com/2023/04/a-intentona-golpista-de-7-de-setembro.html
Houve mais reuniões numa casa que foi alugada após o primeiro turno das eleições. Os frequentadores eram Braga Netto, Augusto Heleno e outros generais e coronéis interessados em manter as boquinhas.
Porém, após o presidente norte-americano Joe Biden se pronunciar a favor da democracia no Brasil e parte da imprensa (que durante todo o governo Bolsonaro foi leniente com ele) na reta final, muito a contragosto, ter se definido contra a reeleição do ex-presidente, o exército (a instituição como um todo) e a aeronáutica perceberam que a aventura estaria fadada ao fracasso e comunicaram isso a Bolsonaro. O golpe com o apoio das Forças Armadas não aconteceria.
Como os bolsonaristas ainda estavam acampados em frente aos quartéis, a nova ideia seria usá-los como bucha de canhão.
Anderson Torres, recém nomeado como secretário de segurança pública do Distrito Federal, viajaria para os Estados Unidos deixando o caminho aberto para a invasão da Praça dos Três Poderes. Bolsonaro já estava lá.
A turba iniciaria a quebradeira geral e o recém-eleito presidente Lula seria decretaria uma GLO (Garantia da Lei e da Ordem). Assim, o exército, mesmo que não quisesse, teria que assumir o poder. Lula seria destituído e Bolsonaro voltaria ao poder.
O plano ainda previa o assassinato de Lula e o sequestro e prisão do ministro do STF, Alexandre de Moraes. Tudo com Deus acima de todos.
Não teria como não dar certo. Mas não deu.
Quando Mauro Cid diz que Bolsonaro, ao receber a minuta de golpe que, segundo ele, foi preparada pelo assessor Filipe Martins, aquele mesmo que foi flagrado fazendo gesto supremacista branco no Senado, não disse nada, está mentindo e poupando seu capitão. Não tem como. Todos sabemos que Bolsonaro não segura as palavras para si. Naquele mesmo momento deve ter mandado chamar os comandantes.
Esse foi o primeiro vazamento da delação de Mauro Cid. Mas, pelo simples fato de Alexandre de Moraes ter homologado a delação, com certeza vem muito mais por aí.
A esta altura, Moraes e a PF já devem ter o quebra-cabeças praticamente todo montado.
Os tubarões e as baleias em breve começarão a ser presos.

* Fernando Castilho, arquiteto, professor e escritor. Autor de Depois que Descemos das Árvores, Um Humano Num Pálido Ponto Azul e Dilma, a Sangria Estancada

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