ALICE NO MUNDO DOS HORRORES

Prof. Dr. Claudefranklin Monteiro Santos

Iniciar uma maratona de filmes ou séries requer não somente tempo e disposição, mas conteúdo criativo de alto nível que venha a prender a nossa atenção, alcançando o fim para o qual eles são efetivamente produzidos: entreter. Nessa esteira, destaco inicialmente a minha primeira e maior experiência até a presente data: “Star Wars”, de George Lucas, desde 1977 e ainda em plena forma. Sem falar em “Star Trek”, de Gene Roddenberry, desde os anos 60. Depois disso, já na geração de meu filho, o mágico e fantástico “Harry Potter” (2001-2011).
A mais recente a que me propus a acompanhar fielmente me fez lembrar parte de minha adolescência e da primeira parte da fase adulta, quando me distraia jogando “Doom” (1993) e “Worms” (1995). O primeiro deles teve uma versão adaptada para o cinema em 2005, estrelado por Dwayne Johnson (The Rock), o musculoso talentoso, que vem colecionando um sucesso atrás do outro, seja em ação, sem em comédia e aventura. E assim, os chamados games de PC e depois as plataformas, a exemplo do Play Store e Xbox, foram ganhando as telas do cinema e os streamings e se transformando em grandes negócios e franquias de muito sucesso e de aceitação popular.
Nessa vibe, expressão comumente usada pelos jovens de nosso tempo, quero destacar “ResidentEvil”, game criado pela Capcom em 1996, que em 2022 completa vinte anos de sucesso como adaptação para a indústria cinematográfica. Ao todo, incluindo uma espécie de reboot, são sete filmes, cada um melhor do que o outro, com uma sequência entusiasmante e com um desfecho ainda mais espetacular, raro em boa parte dos filmes que se propõem a essa aventura, que pode custar caro se não tiver uma boa sacada.
O grande destaque de”ResidentEvil”, o filme, é a atriz Milla Jovovich (ou Milica Bogdanovna “Milla” Jovovich), atriz ucraniana, nascida em Kiev no dia 17 de dezembro de 1975. Sua interpretação da protagonista Alice, de que tratarei mais adiante, é algo que deixa qualquer marmanjo bonitão e malhado no chulé, como se diz no popular. Além de belíssima, Milla é muito talentosa e atua em cenas de ação e de luta de tirarem o fôlego. Naturalizada americana, com passagem pela Inglaterra, iniciou sua carreira artística como modelo e depois como atriz, desde 1991. Esteve presente também em “Chaplin” (1992), “O martírio de Joana D´arc” (1999), “Os três mosqueteiros” (2011), entre outros.
Num mundo apocalítico e pós-apocalítico, dominado por zumbis e clones de ricos gananciosos e cientistas malucos, em “ResidentEvil” predomina o empoderamento feminino, não somente a partir de Alice (Milla Jovovich) mas também de outras personagens do gênero. Misturando ficção científica, ação e terror de grande qualidade, ela luta contra uma poderosa empresa, Umbrella Corporation, disfarçada de farmacêutica, mas que na verdade lida com engenharia genética e armas nucleares, num audacioso e criminoso plano para destruir, dominar e reconstruir o mundo a partir da ideia de uma raça superior e notadamente branca.
Com efeitos especiais geniais e um enredo muito bem elaborado, “ResidentEvil” nos presenteou com filmes entre 2002 e 2021. Em 2022, a Netflix estreou no último dia 14 de julho, uma série, estrelada por Ella Balinska, Tamara Smart e Siena Agudong. Eu ainda não vi, porque certamente terei saudades de Milla Jovovich, mas o farei na primeira oportunidade.
Como última observação do “ResidentEvil”, destaco a relação inevitável que fazemos ao assistir seus filmes com o contexto pandêmico que vivemos. Afora outras questões em voga a essa altura do século XXI, tais como: misoginia, ambição desenfreada dos poderosos, o ataque indiscriminado ao meio ambiente, a exaltação das armas, o ódio às minorias e o horrendo passado histórico que insiste em limpeza étnica e na supremacia branca, rica e raivosa.

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