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Aluna de 14 anos ameaça uma professora de morte


Publicado em 05 de agosto de 2012
Por Jornal Do Dia


Os estudantes não estão mais respeitando o ambiente escolar

Gabriel Damásio
gabrieldamasio@jornaldodiase.com.br

Os casos de violência entre adolescentes nas escolas vêm preocupando cada vez mais os pais, professores e funcionários de instituições públicas ou particulares. Nos últimos tempos, o ambiente de ensino tem sido palco de incidentes como agressões, xingamentos, ameaças, tráfico e consumo de drogas. Nesta semana, alguns casos ocorridos em Aracaju chamaram a atenção para o problema. O mais recente foi registrado na tarde desta sexta-feira: uma diretora do Colégio Santana, escola particular situada no bairro Ponto Novo (zona oeste), registrou boletim de ocorrência na Delegacia Plantonista (Centro) relatando que fora ameaçada de morte por uma aluna de 14 anos.

A diretora, que não se identificou, narrou na queixa que, por volta das 16h, viu a garota fora da sala de aula, mesmo tendo terminado o horário do intervalo, e que a mesma tinha sido advertida por uma auxiliar de coordenação do colégio. A estudante começou a discutir com a funcionária, dizendo que ninguém a faria entrar. Foi quando a diretora interveio na conversa, ordenando que a menina entrasse na sala, e ouviu palavrões e xingamentos como resposta. Irritada, a educadora levou a menina para a sala da diretoria, onde a discussão continuou.

A vítima relata que a aluna chegou a debochar dela no momento em que anunciou a sua suspensão das aulas "em decorrência da falta de respeito". As agressões verbais continuaram e fizeram a diretora decidir pela expulsão do adolescente do colégio. Nesse instante, a menina ficou ainda mais agressiva e, segundo o boletim de ocorrência, disse que iria matar a educadora "usando uma faca ou uma tesoura", porque a odiava. Não foram dados mais detalhes sobre como a confusão acabou, e a queixa será encaminhada para a Delegacia Especial de Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca).

O caso mais grave registrado nos últimos dias também veio da rede particular: na última quarta-feira, um adolescente de 15 anos foi esfaqueado por outro garoto da mesma idade, em frente ao Colégio Ofenísia Freire, no bairro Suissa (zona sul), onde ambos estudavam. A vítima, que teve perfuração no intestino e em um dos rins foi internada às pressas no Hospital São Lucas, onde passou por uma cirurgia. A previsão dos médicos é de que ele tenha alta e seja liberado até este domingo. Já o agressor fugiu do local, foi expulso da escola no dia seguinte e, segundo informações, fugiu de casa depois de brigar com os pais e não foi mais encontrado. O motivo do ataque ainda é desconhecido da polícia, que também investiga o caso.

O advogado Augusto Trindade, que representa a família da vítima, informa que alguns depoimentos já foram ouvidos pela Depca, incluindo os dos funcionários e diretores do Ofenísia, além dos pais dos dois envolvidos. A previsão dele é de que o adolescente ferido preste depoimento em sua casa, onde ficará se recuperando e para onde uma equipe de policiais será enviada. "Já nos foi dada a garantia que, após esses depoimentos, o delegado responsável irá pedir a internação dele", disse Augusto, que quer a qualificação do processo como tentativa de homicídio.

Má rotina – Os casos de violência estão mais expostos nas escolas públicas, que em regra geral, possuem uma menor estrutura de segurança, instalações físicas e funcionamento, se comparadas às particulares. Enquanto a rede privada tem um controle de acesso maior e até mesmo seguranças contratados, as unidades estaduais e municipais não dispõem dos mesmos recursos e contam com o trabalho de rondas escolares da Polícia Militar e da Guarda Municipal. Isso pode se constatar nos constantes relatos feitos por alunos e estudantes. Um dos casos está na Escola Estadual Professora Ofenísia Freire, no Cj. Augusto Franco (zona sul), que abriga cerca de 600 alunos.

Uma pessoa que trabalha na escola e não quis se identificar, diz que a situação da unidade é "caótica", por conta da constante indisciplina de alunos que tumultuam as aulas, consomem drogas, brigam entre si e fazem até ameaças aos professores. Também relata ser comum a entrada de facas e drogas na unidade de ensino. "Lá não tem vigilante e as janelas são todas quebradas. Esta semana entrou um homem encapuzado no colégio para roubar, fora os moleques que entram para passar droga para os alunos, muitos deles até se matriculam no colégio, mas não estudam. Preferem ficar passando droga. E os outros ficam se drogando, fumando maconha no banheiro. É um desinteresse total", disse.

Ainda segundo o relato, parte dos estudantes também costuma provocar discussões, xingar  e fazer ameaças aos professores, além de pichar e depredar a estrutura física da escola pública. Nem os quatro ônibus que fazem o transporte de alunos do bairro Santa Maria até o Ofenísia escapam das demonstrações de violência. "Até os ônibus estão em más condições, porque os alunos quebram. Já teve até briga dentro do ônibus, há uns 15 dias, quando dois alunos se pegaram e até bateram na cara do motorista", relata a fonte. Ela diz também que um grupo de professores foi levar a questão ao secretário estadual de Educação, Belivaldo Chagas, que prometeu visitar a escola nos próximos dias, mas adiantou que o efetivo de seguranças e servidores é insuficiente.

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