Em Aracaju, as pessoas pretas, pardas e indígenas vivem quase 12 anos a menos que as pessoas brancas
Domingo, 27 de outubro, a população de Aracaju decidirá nas urnas quem terá poder de mando sobre a capital sergipana ao longo dos próximos anos. Os candidatos ao cargo de prefeito, ou prefeita, Emília Corrêa e Luiz Roberto Dantas, possuem perfis muito diversos. Mas, quem for eleito, terá a responsabilidade de apontar soluções para os mesmos graves problemas.
Sim, embora a capital sergipana se apresente como uma cidade limpa e organizada, à primeira vista, um olhar mais demorado revela uma desigualdade social imensa que reclama investimento robusto em matéria de segurança, saúde e educação.
O Ideb municipal é vergonhoso, muito abaixo das metas estabelecidas, revelando um problema com o potencial de ceifar o futuro dos jovens aracajuanos. Aqui, aliás, a chance de um jovem pardo, preto ou indígena sofrer um homicídio é 26,2 maior que a de um jovem branco.
No município, que possui pouco mais de 602 mil habitantes, a taxa de homicídio juvenil masculino é de 1,81 a cada mil habitantes para jovens brancos e amarelos, e de 47,36 a cada mil, entre jovens pretos, pardos e indígenas.
A diferença na qualidade de vida das pessoas brancas e amarelas, e das pessoas pardas, pretas e indígenas também se reflete na saúde e na expectativa de vida. Em Aracaju, as pessoas pretas, pardas e indígenas vivem quase 12 anos a menos que as pessoas brancas.
Eis a cidade disputada por Emília e Luiz, em números incontestáveis. Bela e organizada, sim. Porém, desigual.


