As Migrações Humanas

A mobilidade humana está intrinsecamente ligada à instabilidade e à fragilidade.  A Organização Internacional para as Migrações (OIM) está empenhada em abordar as dimensões da mobilidade em tempos de crise, incluindo os deslocamentos sem precedentes, para cumprir a promessa da migração, ao mesmo tempo que apoia as pessoas mais vulneráveis do mundo.
Fundada em 1951, a Organização Internacional para as Migrações (OIM) é a principal organização intergovernamental na área das migrações. A OIM integra o sistema das Nações Unidas, como organização associada, e conta com 175 Estados-membros e 8 Estados observadores, com presença em 171 países.
A Organização é orientada pelos princípios consagrados na Carta das Nações Unidas, incluindo a defesa dos direitos humanos para todos. A OIM está comprometida com o princípio de que a migração humana e ordenada beneficia os migrantes e a sociedade, sendo o respeito pelos direitos, dignidade e bem-estar dos migrantes primordial.
De acordo com o Panorama Humanitário Global (GHO, na sigla em inglês), em 2025, 300 milhões de pessoas em todo o mundo precisarão de assistência humanitária e proteção urgentes, à medida que múltiplas crises se intensificam com consequências devastadoras para as pessoas afetadas. Essas populações têm necessidades de longo prazo que devem ser atendidas para permitir sua recuperação dos impactos das crises e fortalecer sua resiliência a potenciais riscos futuros. Embora conflitos e desastres frequentemente provocam deslocamentos, os fatores subjacentes de risco e fragilidade incluem mudanças climáticas, instabilidade, pobreza e exploração.
Conforme delineado no Relatório Global de Oportunidades Humanitárias (GHO) de junho de 2025 , as necessidades permanecem significativas, mas a gravidade dos cortes de financiamento no início de 2025 exigiu uma resposta com prioridades ainda maiores. Embora a OIM se esforce para garantir respostas abrangentes e inclusivas, em julho de 2025, a OIM priorizou ainda mais sua resposta, concentrando-se nas necessidades mais críticas, no apoio a parceiros e em investimentos em soluções sustentáveis, em consonância com a priorização do sistema humanitário, quando pertinente.
O Plano Estratégico da OIM define como a Organização apoiará seus Estados-Membros para que cumpram a promessa da migração, ao mesmo tempo que apoiam os mais vulneráveis do mundo. A OIM reconhece que governos, o setor privado, outras organizações internacionais, a academia, a sociedade civil e, claro, os migrantes e suas comunidades são atores essenciais e busca engajar-se com uma ampla gama de parceiros para contribuir com objetivos globais compartilhados.
Três objetivos estratégicos definem os parâmetros gerais do trabalho da OIM:
Salvar vidas e proteger pessoas em movimento: a OIM coloca a segurança, a dignidade e a proteção das pessoas em primeiro lugar nos contextos de resposta a crises mais desafiadoras do mundo.
Impulsionando soluções para o deslocamento: A OIM reduz os riscos e os impactos das mudanças climáticas, da degradação ambiental, dos conflitos e da instabilidade para as comunidades afetadas ou em risco de deslocamento.
Facilitando caminhos para a migração regular: a OIM prioriza abordagens que envolvam todo o governo e toda a sociedade para conectar com segurança pessoas, bens, serviços, conhecimento e inovação.
Segundo o painel de estatísticas da OIM, atualmente 44,2 milhões de pessoas são alvo do trabalho da entidade internacional, sendo que 28,6 milhões de pessoas são visadas, ou seja, passam por situação crítica, portanto são objeto de 42 planos de resposta a crises.
Trago este tema no presente artigo porque conforme informações da OIM, nos primeiros meses de 2025, os conflitos e a violência agravaram as crises em curso, ao mesmo tempo que a ajuda externa essencial foi interrompida.
De acordo com a OIM, em 2024, as necessidades humanitárias globais atingiram níveis recordes, com mais de 300 milhões de pessoas, incluindo migrantes, deslocados internos, refugiados e comunidades afetadas, necessitando de assistência devido a conflitos, choques climáticos e colapso econômico. A guerra em Gaza deslocou quase toda a população da Faixa de Gaza, enquanto conflitos internos no Sudão, na República Democrática do Congo, no Afeganistão e no Haiti causaram sofrimento e deslocamento em massa. No Chifre da África, secas e inundações levaram milhões de pessoas à situação de extrema necessidade. Enquanto isso, a guerra em curso na Ucrânia e outras crises prolongadas sobrecarregaram ainda mais os recursos limitados. O Relatório Operando em Crise destaca as intervenções cruciais da OIM e demonstra o extraordinário poder da solidariedade e da resiliência humana. Ele apresenta os esforços incansáveis da Organização para levar esperança, alívio e soluções de longo prazo, aplicando uma abordagem que integra ajuda humanitária, desenvolvimento e paz, colocando as pessoas no centro da resposta.
É importante sabermos que o deslocamento humano continua sendo um dos desafios globais mais urgentes do Século XXI, aumentando em escala ano após ano. No início deste Século, estimava-se que cerca de 35 milhões de pessoas estivessem deslocadas através de fronteiras ou dentro de seus próprios países, porém, em 2024, esse número mais que triplicou, chegando a quase 117 milhões.
Algo que merece ser destacado é que a maioria das pessoas não é deslocada para outros países, mas sim dentro de seus próprios países. Em 2023, o número de deslocados internos chegou a quase 76 milhões, superando em muito o número de refugiados em todo o mundo. Esse número quase quadruplicou nos últimos 25 anos, superando o crescimento global de refugiados.
Cabe registrar que os deslocados internos são frequentemente as vítimas esquecidas das crises, pessoas que são forçadas a fugir, mas que não cruzaram nenhuma fronteira. É relevante saber que para estas pessoas, o sofrimento é tão grave quanto o daqueles que conseguem chegar a outros países.
Que tenhamos mais atenção na questão das migrações humanas.
Compartilhe esta notícia