O descompasso entre o governo federal, estados e municípios jamais foi tão notório quanto é ago ra, justamente enquanto uma pandemia ameaça arrastar pelo menos 600 mil brasileiros para a cova. Num contexto normal, este seria o momento para superar eventuais diferenças, em favor da vida. Mas não no governo Bolsonaro.
Após a orientação do Ministério da Saúde de suspender a vacinação de adolescentes sem comorbidades, pelo menos 15 capitais e o Distrito Federal seguem com seus planos de imunização para os menores de idade. Ou seja: os gestores locais, que acompanham a realidade dos cidadãos mais de perto, fizeram ouvidos moucos para o ministro o ministro da Saúde Marcelo Queiroga e, por extensão, o próprio presidente Bolsonaro.
A capital sergipana está entre as cidades onde o negacionismo irradiado desde Brasília não tem vez. O presidente, vale lembrar, está entre os brasileiros que se recusam a dar o braço à vacina. Dependesse dele, a estratégia para superar a pandemia seria outra, alheia à Ciência, os brasileiros perseguiriam uma improvável imunidade de rebanho.
Todo cuidado é pouco. Mas, ao que parece, com o avanço da imunização, aproxima-se a hora de encarar o tal do novo normal. Algum distanciamento ainda será recomendável por muito tempo. Mas, graças ao empenho das autoridades responsáveis e a responsabilidade dos cidadãos, os dias de reclusão, isolamento e confinamento doméstico estão contados, apesar de todas as perdas e de todos os pesares. Infelizmente, o presidente e o seu ministro da Saúde não estão entre as autoridades mencionadas.


