Benefício eleitoreiro

Existisse, porventura, alguma dúvida em relação às verdadeiras motivações do governo federal ao improvisar um programa de transferência de renda, com prazo de validade limitado, às vésperas das eleições, agora não há mais. Ontem, um novo pacote de bondades foi anunciado, a repique de sino e toque de caixa.
O governo Jair Bolsonaro pretende zerar a fila do Auxílio Brasil, com a inclusão de cerca de 500 mil novas famílias no programa de transferência de renda, de um dia para a noite. O objetivo é que o dinheiro caia no bolso dos penitentes ainda na fila, o quanto antes, a tempo de influenciar o humor do eleitorado mais pobre no segundo turno das eleições.
A generosidade é súbita e não conhece limites. No início da semana, o governo já havia anunciado a antecipação do calendário de pagamentos do Auxílio Brasil do mês de outubro. Com a mudança, o auxílio começará a ser pago pela Caixa Econômica Federal no dia 11 e os depósitos terminarão no dia 25, de acordo com o número NIS dos cidadãos. O calendário original previa pagamentos entre os dias 18 e 31 de outubro.
Bem elaborados, os programas de transferência de renda implantados no Brasil por Fernando Henrique Cardoso e ampliado nos governos de Lula têm o condão de estimular o consumo e impulsionar um círculo virtuoso na economia, além de mitigar a extrema carência dos mais pobres. Da maneira como foi pensado por Bolsonaro, um crítico feroz do Bolsa Família, entretanto, eles têm poder de fogo muito limitado. O Auxílio Brasil talvez influencie o resultado a ser auferido nas urnas. E olhe lá!

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