Brasil precisa construir, não prometer

* Gregório José

O Brasil parece condenado a repetir o mesmo ritual improdutivo quando o assunto é infraestrutura: discursos animados, reuniões intermináveis, anúncios pomposos e uma fila de projetos que nunca chegam ao fim. Fala-se muito em crescimento, competitividade e modernização, mas o País segue travado nos próprios gargalos logísticos, refém da burocracia, da lentidão decisória e da velha cultura do adiamento.
Quando surge a notícia de que um grande projeto finalmente “avançou” – seja um porto, uma ferrovia ou uma rodovia – o que se celebra, na maioria das vezes, não é uma obra iniciada, mas apenas mais uma etapa burocrática cumprida. Encaminhou-se o edital, marcou-se uma data, abriu-se uma consulta. Tudo muito correto no papel. Tudo muito distante da realidade de quem precisa escoar produção, reduzir custos e competir com países que constroem enquanto fica apena no debate. O Porto de Santos que o diga.
O resultado desse modelo falido está escancarado: portos operando no limite, estradas saturadas, ferrovias insuficientes e um sistema logístico que encarece produtos, gera perdas e compromete exportações. O custo dessa inércia não é abstrato e se traduz em mercadorias paradas, contratos perdidos e oportunidades desperdiçadas. Cada atraso vira prejuízo. Cada adiamento cobra seu preço.
O problema não é a falta de projetos. O Brasil está cheio deles. O problema é a incapacidade crônica de transformar planos em obras concluídas. Tudo vira discussão. Modelo, regra, exceção, o detalhe jurídico, a disputa política. Enquanto isso, investidores se cansam, cronogramas escorrem pelos dedos e o País segue andando em círculos.
Há uma diferença brutal entre governar e administrar expectativas. Governar exige decisão, risco e execução. Exige enfrentar resistências, cortar amarras desnecessárias e assumir responsabilidades. Mas, por aqui, parece mais confortável viver no eterno “em análise”, no “em breve”, no “estamos avançando”. Avançando para onde, exatamente?
É preciso, urgentemente, mudar de postura. Precisamos parar de tratar infraestrutura como tema de seminário e começar a tratá-la como prioridade nacional. Isso significa menos palco e mais canteiro de obras. Menos anúncios e mais entregas. Menos justificativas e mais resultados.
Não há mais espaço para a enrolação de sempre. O mundo não espera, o mercado não perdoa e a economia não cresce à base de atas de reunião. O País que quer ser grande precisa agir como grande – com obras concluídas, prazos cumpridos e coragem para decidir.
Chega de conversa. É hora de construir.

* Gregório José, Jornalista/Radialista/Filósofo

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