O desrespeito flagrante às regras do isolamen- to social em Sergipe deverá provocar uma mortandade sem precedentes. A atualização de uma projeção epidemiológica desenvolvida pela Universidade Federal de Sergipe (UFS), em parceria com a Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), aponta que o número de óbitos causados pela covid-19 no estado pode chegar em 1665 até o dia 4 de agosto.
O número deveria impressionar mais, ainda que em termos absolutos não represente mais do que uma pequena porcentagem da população. De todo modo, são quase dois mil mortos a troco de nada, somente porque decidiram brincar com a sorte e apostar o próprio pescoço numa espécie de roleta russa.
Pelo menos 900 sergipanos já foram sepultados às pressas, vítimas da covid-19. Sem providências mais drásticas, o número tende a aumentar. A previsão para o desenvolvimento da pandemia em Sergipe durante os próximos 30 dias, projeta 261.935 casos acumulados, 1545 internações e demanda por 626 vagas em Unidades de Terapia Intensiva (UTI).
O distanciamento social é apontado por pesquisadores como a medida mais efetiva no combate a covid-19. O Brasil iniciou em junho os testes de uma potencial vacina desenvolvida pela Universidade de Oxford, no Reino Unido. Ao todo, 2.000 brasileiros participarão dos testes. Mas esta é uma esperança ainda distante. Na melhor das hipóteses, a cura vai demorar para chegar.
É por isso que, dia a dia, renova-se aqui um alerta: O desconforto crescente provocado pela quarentena, mais sensível à medida em que o tempo passa, não suplanta a necessidade do isolamento.


