O vereador de Aracaju e candidato a deputado estadual Camilo Daniel (PT) manifestou solidariedade aos trabalhadores e trabalhadoras da VRS, empresa que foi retirada do sistema de transporte público da capital sem qualquer informação oficial ou aviso prévio aos funcionários e à própria direção da empresa. Camilo esteve, no inicio da manhã na garagem da empresa e no final da manhã acompanhou os trabalhadores até a sede da prefeitura de Aracaju.
Para o parlamentar, a situação volta a expor a insegurança enfrentada por profissionais do setor e a falta de transparência da gestão municipal. “A saída da empresa surpreendeu os trabalhadores, que dormiram com os veículos ainda em circulação e acordaram, no dia seguinte, sem a certeza sobre a continuidade de seus empregos. Isso é a prova do que a gente já indicava há algum tempo: falta transparência na gestão da prefeita Emília Corrêa”, destacou.
A preocupação, segundo o vereador, é ainda maior porque muitos dos trabalhadores atingidos já enfrentaram situações semelhantes. Parte deles trabalhou na antiga Progresso, empresa que deixou o sistema de transporte coletivo após uma longa crise, com trabalhadores acumulando salários atrasados e direitos trabalhistas não quitados. “Todo mundo aqui sabe o que era passar cinco, seis meses sem receber salário. Todo mundo lembra o que era não ter férias, não ter 13º. O trabalhador não pode, mais uma vez, sair com uma mão na frente e outra atrás”, afirmou Camilo.
Reunião entre vereadores – Diante da crise, os vereadores de Aracaju realizaram uma reunião para discutir a situação e definir encaminhamentos. Entre as deliberações, está a cobrança para que a Câmara Municipal tenha uma participação mais efetiva no Consórcio Metropolitano de Transporte, responsável pela gestão do sistema. Também ficou definido que representantes da empresa VRS serão chamados à Câmara na próxima terça-feira para prestar esclarecimentos sobre a situação dos trabalhadores.
Outro importante encaminhamento é a representação do projeto de autoria de Camilo que condiciona o pagamento dos subsídios à regularidade fiscal e trabalhista das empresas. A proposta foi vetada pela prefeita Emília Corrêa, mas, diante da nova crise, Camilo informou que o projeto deverá retornar à pauta da Câmara Municipal.
Subsídios – Camilo destacou ainda que o transporte coletivo é um serviço público operado por concessão e que recebe, atualmente, mais de R$ 70 milhões em subsídios da Prefeitura de Aracaju. Por isso, defendeu explicações claras sobre a retirada da empresa e a entrada de uma nova operadora no sistema.
Para ele, a sucessão de crises no transporte coletivo demonstra que a cidade precisa de fiscalização mais rigorosa e, sobretudo, de transparência por parte da administração municipal. “O mais grave é que tudo isso acontece em um serviço que é uma concessão pública e recebe um volume enorme de recursos públicos. A Câmara tem o papel de fiscalizar e cobrar. E o nosso papel é estar ao lado dessa companheirada que luta todo santo dia para manter essa cidade rodando”, concluiu.


