Chuvas no sertão

Atípico, o volume inesperado de chuvas faz deste ano da graça de 2025 um período tão enganoso quanto extraordinário

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O alívio caiu do céu. Negligenciado pelo poder público estadual, carente de um projeto estrutural mais consistente para lidar com os efeitos deletérios da estiagem prolongada, o povo do agreste sergipano ergue as mãos para o alto. Este ano, choveu.
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Segundo a Secretaria de Estado do Meio Ambiente, Sustentabilidade e Ações Climáticas (Semac), Sergipe ficou livre do quadro de seca grave durante o mês de junho. De acordo com o Boletim de Monitoramento de Seca da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) referente ao mês anterior, o resultado se deve às chuvas do último mês e deve se repetir em julho.
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Atípico, o volume inesperado de chuvas faz deste ano da graça de 2025 um período tão enganoso quanto extraordinário. Ao contrário do quadro ora observado, a regra é um cenário de muita penúria.
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Não há providências no horizonte, contudo. O governador Fabio Mitidieri está ciente da gravidade da seca, um problema secular, tanto que fez estardalhaço com o lançamento de uma tal Caravana da Água, meses atrás. Mas o credenciamento de alguns pipeiros, a fim de socorrer os municípios em situação de emergência, não os salva do sofrimento de todos os anos.
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De nada adianta batizar com um novo nome práticas surradas, como esta de enviar um tonel de água até os confins de Judas, a fim de mitigar o sofrimento derivado da seca. Trata-se de medida estritamente paliativa, sem o condão de transformar vidas. Sem outra estratégia, Mitidieri condena os sergipanos das regiões mais secas a viver com as mãos para cima, à espera da misericórdia divina, em oração.
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