Com Zé Paulo será antes do galo cantar

Um candidato que resolve atacar uma política de mobilidade urbana, uma das poucas tentativas recentes de dar um mínimo de dignidade ao transporte público na cidade, deve ser olhado com certa cautela

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* Antonio Passos

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Levo uma das minhas filhas ao trabalho pela manhã. Dou carona a ela da Farolândia até o centro da cidade. Saímos 07h30 para chegar, no máximo, até 08h30. Geralmente chegamos minutos antes.
Nos dias que não posso dar a carona, ela vai de ônibus. Nas nossas conversas, durante esse deslocamento matinal, ela me contou algo muito interessante sobre mudanças recentes ocorridas no transporte público de Aracaju.
Disse que precisava sair de casa bem mais cedo quando usava o transporte público, porque o ônibus demorava muito mais que o veículo de passeio para percorrer o mesmo trajeto.
Entretanto, após a implantação da faixa exclusiva de ônibus nas avenidas Hermes Fontes, Adélia Franco e José Carlos Silva, a coisa mudou. Hoje, indo de carro comigo ou de ônibus, ela sai de casa no mesmo horário, às 07h30.
Imagine essa experiência multiplicada pela imensidade de prestadores de serviço, das mais variadas atividades, que circulam diariamente pela grande Aracaju, de ônibus? O que significa para esse povo todo sair de casa mais tarde e chegar de volta mais cedo?
Entretanto, o benefício está ameaçado. Em entrevista publicada no portal Mangue Jornalismo, em 21/08, consta estampada a seguinte frase atribuída ao candidato Zé Paulo (Novo): “Vamos suspender as faixas exclusivas de ônibus”.
Para quem não lembra, as faixas exclusivas de ônibus foram criadas na derradeira gestão do prefeito João Alves Filho e ampliadas por Edvaldo Nogueira.
Suspender as faixas exclusivas pode agradar a certos setores da sociedade que veem o transporte individual como prioritário, mas é um contrassenso em termos de políticas urbanas atuais.
Em cidades ao redor do mundo, temos visto um movimento contrário: incentivo ao transporte público e desestímulo ao uso de carros particulares. Desse modo, Zé Paulo parece negar a importância da busca por sustentabilidade.
Até o bilionário paulista, Luiz Barsi Filho, também conhecido como “o rei dos dividendos”, diz que sempre preferiu o metrô ao veículo particular para circular na pauliceia desvairada.
Um candidato que resolve atacar uma política de mobilidade urbana, uma das poucas tentativas recentes de dar um mínimo de dignidade ao transporte público na cidade, deve ser olhado com certa cautela.
Minha amiga e meu amigo, o alerta está dado. Você que precisa sair cedinho de casa para o trabalho e vai de ônibus, caso Zé Paulo comece a crescer nas pesquisas, prepare o seu despertador pra tocar antes do galo cantar.

* Antonio Passos é jornalista

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