Como previsto, as peripécias eleitoreiras da dupla Bolsonaro e Guedes têm um preço, inviabilizaram um orçamento exequível, sujeito à enorme demanda social e econômica reprimida nos últimos anos. Para estender a mão para os mais vulneráveis de modo imediato, por exemplo, logo nos primeiros dias de janeiro, somente com a aprovação de uma emenda à Constituição.
Felizmente, com vontade política, tudo é possível. O senador Marcelo Castro, relator do Orçamento de 2023, já avisou que o governo eleito e os líderes do Congresso vão apresentar uma Proposta de Emenda à Constituição a fim de aumentar os gastos públicos no próximo ano. A intenção é garantir o pagamento de R$ 600 aos beneficiários do Auxílio Brasil, que voltará a ser chamado de Bolsa Família.
Com a proximidade das eleições, Jair Bolsonaro foi tomado por súbita preocupação com os brasileiros mais pobres. A substituição do Bolsa Família pelo Auxílio Brasil, ao arrepio de qualquer planejamento mais consequente, sem previsão no na Lei de Diretrizes Orçamentárias do ano vindouro, revela as segunda intenções do presidente vencido em seu projeto de reeleição.
Melhor assim. Os programas de transferência de renda começaram a ser adotados no Brasil durante o governo de Fernando Henrique Cardoso. Ampliado desde o primeiro mandato de Lula, sempre mereceu a alcunha de “bolsa esmola” pelos adversários do Partido dos Trabalhadores. Além do seu evidente apelo eleitoral, contudo, há razões de sobra para uma gestão com o mínimo de sensibilidade social insistir na distribuição do auxílio. Antes de todos, o setor produtivo e, por extensão, toda a economia nacional, agradece.


