* J. Cruz
No último dia 03/10 a Associação Musical Lira Carlos Gomes completou 140 anos de fundação, diante disso aconteceram comemorações que marcaram a vida cultural da Cidade Jardim. No dia 03 (quinta-feira), foi celebrada Missa Solene em Ação de Graças que foi presidida pelo Padre Nivaldo Soares de Melo, em sua homilia utilizou o evangelho do dia (Lc 10,1-12) para mostrar que no ide de Jesus, os discípulos vão de dois em dois harmonicamente e que em uma filarmônica existe também essa harmonia e a disciplina entre os participantes. Já no dia 05 o evento foi realizado na Praça da Catedral em que várias autoridades municipais se fizeram presentes, inclusive o Prefeito Municipal, Dr. Gilson Andrade, os amantes da Lira, vários seguimentos da sociedade local e familiares dos músicos. Convém ressaltar, que foram os aprendizes da Lira que j& aacute; formam uma "banda" que começaram a retreta executando duas belíssimas canções: "Êxodos" e "La Paloma". O cantor estanciano, Carlos Vinícius dos Passos Santos interpretou o hino oficial da Lira, letra e música de Raimunda Andrelina, em seguida as Filarmônicas de Frei Paulo e Itabaiana executaram belas músicas sendo aplaudidas pelos presentes.
Logo em seguida a apresentação das Filarmônicas a Diretoria da Associação Musical Lira Carlos Gomes homenageou a professora e doutora Maria Olga de Andrade que atualmente é presidente da Sociedade Filarmônica de Sergipe (SOFISE), pelos serviços prestados a Associação. No discurso de agradecimento a professora Olga comentou a importância da Lira Carlos Gomes no cenário musical sergipano, um esforço da Diretoria que sempre procura desenvolver um trabalho que valoriza os músicas e regentes. Continuando com as homenagens algumas autoridades presentes falaram enaltecendo a Lira Carlos Gomes e sua diretoria na pessoa do presidente, o Sr. José Felix, que desenvolvido um excelente trabalho à frente agremiação musical. O evento foi concluído com uma belíssima apresentação da Lira Carlos sob a batuta de seu regente, Claudemiro Xisto, que utilizou um variado repertorio de músicas do cancioneiro clássico e popular.
Mas observando a Lira Carlos Gomes, fico a imaginar como seria a nossa Estância sem essa gloriosa banda de música. Provavelmente seria uma cidade triste, uma cidade que só se escutava barulhos de veículos, das indústrias, os chiados do caminhar apressado dos seus habitantes para irem trabalhar ou para executar suas tarefas cotidianas. Como seriam os desfiles cívicos, as manifestações religiosas, as inaugurações, as festas populares sem os acordes da Lira durante estes 140 anos? Estância também seria uma cidade privada dessa milenar arte que tem como objetivo coordenar e transmitir efeitos sonoros, harmoniosos e esteticamente através de instrumentos musicais. Como a música é uma manifestação artística e cultural de um povo, em determinada época ou região, não podemos esquecer um estanciano, Pedro Martins Pires e companheiros que ti veram essa brilhante ideia de criar uma banda de música para tornar Estância mais alegre e feliz naqueles idos do final do século XVIII.
Assim é a Lira que desde o século XIX através de várias diretorias vem mantendo ininterruptamente esse patrimônio cultural que foi escolhida pelos seus amantes como a primeira das sete maravilhas de Estância. Como diz a poetisa: "na estação primaveril nasceste, és fina flor do "Jardim de Sergipe"! Tens vida e harmonia, és rima e poesia"! Por isso que a Centenária Lira Carlos Gomes continua garbosamente brilhando e desfilando na vida dos estancianos, tornando-os alegres e felizes mesmo diante dos percalços da labuta diária. Não poderia ser diferente, pois, o nome de "lira", faz referência a um instrumento de quatro cordas, muito utilizado na antiguidade pelos cantores e poetas. Era o símbolo de Apolo, o deus da música e da poesia. O rei Davi, personagem bíblico, foi também uma das figuras importantes que utiliz ou a "lira" para louvar a Deus.
Finalmente a Lira Carlos Gomes que nos seus 140 anos, as vezes com dificuldades ou sem dificuldades, mas vem vencendo as barreiras do tempo e se eternizando no cenário musical sergipano, ou quem sabe, nacional, como principal patrimônio cultural da Cidade Jardim. Parabéns!
* J. Cruz, historiador, teólogo e pesquisador


