*Manoel Moacir Costa Macêdo
Queiramos ou não, vivemos sob a "ditadura da globalização". Questão a ser respondida: melhor com ou sem ela? Os raros casos de excluídos da globalização, a exemplo da Coréia do Norte, não deixa dúvidas, sobre a resposta: "melhor com ela".
Não existe neutralidade, entre "ser ou não globalizado". São limitadas as escolhas nessa binária opção. A globalização não é recente, vem de longe. Na atualidade, toma formas visíveis e invisíveis. As primeiras, nas escancaradas diferenças econômicas e sociais entre os blocos de Nações ricas e pobres. As segundas, nos escondidos satélites e "nuvens". Vantagens e desvantagens são conhecidas. Ganhos e perdas são contabilizados.
A globalização, também não é uma novidade. O Velho Continente, "globalizou o planeta", expandido os seus costumes, religião, e interesses pela "modernização". A "modernização foi expandida pela globalização". Todos eram atrasados, exceto os enviados europeus. Os seus valores foram difundidos como modernos, mundo afora. O domínio da navegação, as estratégias de guerra e conquistas, o comércio, e a vergonhosa escravidão, mostram o sentido da globalização. Em consequência, acumulação de riqueza e poder, pelos Impérios do Velho Mundo. Uma época, que não existiam os Estados-nação.
Na lógica da globalização, poucos ganham, e muitos perdem. Ela impõe desigualdade. Não se globaliza a pobreza, violência e miséria dos pobres, mas as diversas expressões do capital dos ricos. Os ciclos do capitalismo se modernizaram, em controle e poder. O Império Chinês do passado, modernizou-se e globalizou-se no presente. Nada parece deter a sua fúria capitalista, maquiada com o verniz do Partido único, do Estado forte e autoritário, e do pragmatismo cultural: "não importa a cor do gato, importa que cace o rato". Recordes de crescimento a cada ano. Inovações galopantes. Inclusão de milhões de pobres. Ampliação da sua influência em níveis planetários. De repente, surge como epidemia, o "Coronavírus". Um conhecido "grupo de vírus de RNA simples positivo", visível na forma de uma "Coroa Imperial". Ele devasta vidas dentro e fora do seu território, tal qual as pragas do Apocalipse. Para os crentes, expressões de "provas e expiações" de um materialismo desvairado. Para os materialistas, renovação do capitalismo.
No rastro da globalização, o "Coronavírus", atingirá a agropecuária brasileira. Em 2019, o agronegócio representou 43,2% das exportações do Brasil, destaque para soja, milho, carnes, e algodão. O principal destino dessas exportações, foi a China, com US$ 31,01 bilhões, e 32% de participação. O segundo maior importador, dessas mesmas commodities, com destaque para a soja, foi o Velho Continente, com a roupagem de União Europeia, com US$ 16,74 bilhões, e 17,3% das nossas exportações. Os números, expressam as tensões comerciais entre Brasil e China, e as prováveis consequências na produção agropecuária brasileira, dependente e globalizada. Pode ainda, representar uma estratégia de redução dos preços dessas commodities, e artificial controle da temida inflação chinesa.
Na globalização capitalista não cabe sofrimento e "dor na consciência", mas ganhos em escala, num ambiente de protecionismo e acirrada competição. Ela não acolhe sentimentos, emoções, humanismos, "dores e ranger de dentes" dos pobres do mundo. Ela opera numa cadeia de valor com interesses entre assimétricos, como se todos fossem "únicos e iguais", com fome insaciável por lucros, com ou sem vírus, bactérias e fungos.
*Manoel Moacir Costa Macêdo, Engenheiro Agrônomo, Advogado, PhD pela University of Sussex, Brighton, Inglaterra


