Milton Alves Júnior
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Familiares, amigos e companheiros sindicalistas se despedem até hoje à tarde do militante político José Souza de Jesus, que foi vítima de um infarto fulminante na última terça-feira, 21, no Hotel Ministral, em Fortaleza (CE). Souza estava no segundo mandato consecutivo como presidente do Sindicato dos Bancários do Estado de Sergipe (SEEB), e havia ido à capital cearense para participar da assinatura do aditivo do acordo coletivo do Banco do Nordeste (BNB).
O corpo do sindicalista chegou a Aracaju ontem à noite, por volta das 20h30, no aeroporto Santa Maria. Foi levado para a sede do Sindicato dos Bancários em carro do Corpo de Bombeiros. Lá, permaneceu por cerca de duas horas e depois foi levado ao Cemitério Colina da Saudade para continuação do velório, sempre acompanhado por centenas de parentes, amigos e admiradores. O sepultamento está marcado para as 16 horas.
Filho de Laudelina de Jesus, e natural da cidade de Carira, em 31.03.1958, José Souza era casado com a jornalista Niúra Belfort, e pai de Wladimir Belfort Souza e Letícia Belfort Souza. Enquanto o corpo não chegava ao Aeroporto Santa Maria, gestores públicos, líderes políticos, sindicatos e veículos de comunicação lamentaram a partida precoce do ícone sindical do estado, e enalteceram o seu legado.
Deixando de lado, ou esquecendo, os grandes conflitos registrados nos últimos meses, a Prefeitura de Aracaju divulgou nota de pesar. Conforme publicação da Secretaria Municipal de Comunicação, "a administração municipal lamenta a perda desse sergipano, que sempre lutou pelos direitos da categoria que representava. José Souza era uma figura bastante ativa na vida política e sindical sergipana, desde a década de 80", relatava a publicação.
Principal líder dos movimentos bancários, o carirense travava uma luta judicial com a prefeitura que, desde 2013 busca transferir em definitivo as contas da administração pública de Aracaju do Banco do Estado de Sergipe (Banese), para a Caixa Econômica Federal. "O secretário municipal de Comunicação Social, Carlos Batalha, e toda a equipe da Secom, se solidariza com a jornalista e colega Niúra Belfort, e demais familiares e amigos", concluía a nota.
Após confirmação do óbito, o amigo Jackson Barreto, governador de Sergipe, lembrou que Souza era referência no movimento sindical do estado e que sua dedicação à militância fará falta para a luta da classe dos trabalhadores sergipanos, em especial, para os bancários. Em pronunciamento oficial Barreto lembrou o apoio do SEEB por valorização do Banese.
"Souza era um grande sergipano, um líder consciente de suas responsabilidades como militante político e sindicalista. Recentemente, a atuação de Souza em defesa dos baneseanos foi fundamental para que o Banese não sofresse prejuízos históricos com a retirada de contas por parte de prefeituras. Sergipe perde um dos mais importantes sindicalistas da nova geração", lamentou Jackson.
Na biografia Souza acumula também a graduação em Filosofia pela Universidade Federal de Sergipe, era membro dirigente do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), da CTB/SE, da Federação dos Bancários da Bahia /Sergipe, e membro do Conselho Deliberativo da Previ. Popular pelo jeito ímpar de buscar benefícios para os bancários sergipanos, há mais de um ano o presidente havia deixado de fumar, consumir bebidas alcoólicas, e buscava cuidar da saúde. "Tinha uma relação fraterna com Souza, tanto política quanto de amizade. Fui eu, junto com José Araújo, os responsáveis por apresentar e filiar, em 1984. Desde então estivemos juntos nas principais pautas de lutas em prol dos trabalhadores. Sempre foi uma pessoa muito humana", disse o ex-prefeito de Aracaju, Edvaldo nogueira.
Também através de nota, a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), do Estado da Bahia, lamentou a perda – Foi com grande pesar, que recebemos a notícia do falecimento do de José de Souza, companheiro de tantas lutas e conquistas. Neste momento de dor e consternação, nos solidarizamos com os familiares e amigos de Souza, ao tempo em que lamentamos profundamente a partida prematura deste grande companheiro, que tanto contribuiu com a luta dos bancários e dos trabalhadores sergipanos e brasileiros em busca de seus direitos. A morte de José Souza significa uma grande perda para o movimento sindical nordestino e brasileiro, que fica mais pobre a partir de hoje.


