A deputada estadual Linda Brasil recebeu ameaças em função de sua atividade parlamentar, orientada pelo respeito à diversidade e aos direitos individuais. Ato contínuo, o presidente da Assembleia Legislativa de Sergipe, deputado Jeferson Andrade, comunicou o caso ao secretário da Segurança Pública do Estado, João Eloy, e à Polícia Federal em Sergipe. E fez muito bem.
Justiça não tarda. Ou então falha. Assassinada com um golpe de faca, no centro de Aracaju, há alguns anos, a travesti Laysa Fortuna não foi poupada da violência institucional do Governo de Sergipe nem mesmo quando bateu às portas da morte. Preso em flagrante, o acusado pelo atentado foi liberado em seguida. Apesar da gravidade evidente do caso, o delegado plantonista tratou do assunto como um caso de lesão corporal leve.
O Jornal do Dia cita um episódio, com a ressalva de lembrar que não trata aqui de evento excepcional. Infelizmente, o assassinato de mulheres trans não é incidente isolado no País do Carnaval.
Não se faz confusão nenhuma ao relacionar os dois episódios. O mandato da deputada Linda Brasil lembra aos partidários do ódio de todas as conquistas recentes em favor de populações marginalizadas. A reação aos avanços progressistas se dá quase sempre em linguagem e gesto de violência, a mais primitiva.
No Brasil, o ódio faz vítimas fatais todos os dias. E as ameaças contra a deputada Linda Brasil nos lembra a todos: Sergipe não é exceção à regra.


