Crime impune

O óleo derramado ao longo da costa nordestina, o maior desastre ambiental já registrado na região, ainda não tem origem definida. Os estudos em curso, no entanto, chegaram a uma conclusão. Segundo pesquisadores da Universidade Federal de Sergipe (UFS) e da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRP), o material recolhido nas praias pode estar associado a depósitos de parafina.
Os resultados preliminares da análise química que detectou o produto derivado de petróleo foram divulgados nesta segunda-feira (19), pelo Grupo de Petróleo e Energia da Biomassa da UFS, em parceria com o Grupo de Petróleo, Energia e Espectrometria de Massas da UFRPE.
O professor do Departamento de Química da UFS, Alberto Wisniewski Júnior, é um dos líderes da pesquisa. Segundo ele, diante das circunstâncias de acidentes ou desastres com petróleo e derivados, o primeiro passo foi avaliar os aspectos geoquímicos orgânicos do óleo.
“Estudar esses parâmetros geoquímicos a partir da avaliação de moléculas permite identificar o tipo de matéria orgânica que deu origem ao material e quanto tempo ele levou para ser produzido geologicamente ao longo do tempo,” ressalta o pesquisador
Há muito ainda por saber. Por certo, contudo, resta o descaso do governo federal, desde o incidente. Para salvar os rios que correm por Sergipe e eventual contaminação, por exemplo, foi necessário ir à barra dos tribunais. Até a expressa determinação da Justiça Federal, o governo Jair Bolsonaro não moveu uma palha no sentido de proteger os cursos de água doce da imensa mancha de óleo que tomou as praias do nordeste. Deriva também desse descaso a dificuldade de encontrar os culpados pelo crime.

Compartilhe esta notícia