De um jeito ou de outro, energia não vai faltar. As previsões do Operador Nacional do Siste ma Elétrico, contudo, passam longe de tranquilizadoras. A bem da verdade, as projeções confirmam a permanência de uma crise já antiga, relacionada à falta de diversidade da matriz energética brasileira.
Embora reconheça a delicadeza da situação, o ente federal se diz preparada para evitar o pior. De modo imediato, o governo pode acionar as usinas termelétricas, apesar do custo elevado. Além disso, a ONS não descarta a importação de energia, em um cenário de "esgotamento de praticamente todos os recursos". Mas chegar a tal ponto, em um país com o potencial energético do Brasil, é como reconhecer o fim do mundo.
O estudo considerou um aumento crescente das atividades de comércio e serviços daqui para frente, o que traz consigo uma maior demanda de energia. Nesse contexto, a tendência é haver uma redução nos níveis de armazenamento no final do período de seca. Com o devido investimento em outras fontes, além das hidrelétricas, no entanto, o desejável aquecimento da economia não causaria qualquer preocupação neste sentido.
A escassez de chuvas não é nenhuma novidade. Há anos, justamente entre junho e agosto, os índices de precipitação na cabeceira das bacias hidrográficas deixam muito a desejar. Se o setor elétrico nacional fosse mesmo "robusto e seguro", como afirma a ONS, as autoridades não estaria com os olhos espetados nas nuvens. O problema já teria sido resolvido, apesar dos desequilíbrios ambientais.


