Derrota amarga

Ainda presidente, Jair Bolsonaro demorou dois dias inteiros, contados a partir da derrota eleitoral sacramentada nas urnas, para se dirigir à nação. Em um discurso breve, lacônico, ele agradeceu aos próprios eleitores e posou de injustiçado. Fechado em copas desde o segundo turno, talvez com a intenção inconfessável de insuflar manifestações golpistas, Bolsonaro agora chora.
Sim, o presidente chorou ontem ao participar de uma cerimônia das Forças Armadas em Brasília, embora não tenha dado um pio. Imagens da TV Brasil mostram o presidente emocionado e secando as lágrimas ao cumprimentar os oficiais promovidos.
Das razões de Bolsonaro para se debulhar em lágrimas só ele sabe. A farsa golpista, entretanto, oscila entre o crime e o ridículo. Os golpistas não aceitam a vontade soberana do povo brasileiro, proclamada por meio do voto. Mas pouco podem, além de promover a histeria dos seguidores mais alucinados, sob peba de acabarem enquadrados pelos rigores da Lei.
O levante golpista do bolsonarismo era esperado. Insinuações de tal natureza plantaram a ideia do retrocesso nos corações e mentes mais suscetíveis aos arroubos autoritários do presidente. Bolsonaro sempre exaltou torturadores. E governou apenas para os seus apoiadores, alheio à enorme diversidade que caracteriza o povo brasileiro, a maior riqueza do Brasil. Assim, nada mais natural que a derrota fosse mal digerida.
Bolsonaro perdeu, entretanto. E agora chora, como um menino mimado, alheio aos ritos da Democracia, mau perdedor que é.

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