O déficit habitacional, o enorme peso econômico da construção civil, a necessidade de gerar empregos, tudo ficou em segundo plano. Estrangulado pela incompetência saliente do governo federal, o investimento em habitação popular foi reduzido ao mínimo. O resultado é a vulnerabilidade de grande parte da população brasileira.
Cerca de 900 mil pessoas em todo o país podem ser despejadas das casas onde vivem a partir de 1º de novembro, caso o ministro Luís Roberto Barroso do Supremo Tribunal Federal (STF) não prorrogue a liminar que proíbe as remoções, desocupações e reintegrações de posse. A princípio, a liminar valeria apenas durante a crise de emergência sanitária provocada pela pandemia de Covid-19. Mas Barroso estendeu o prazo até 31 de outubro, ou seja, até segunda-feira que vem, um dia após o segundo turno da eleição.
Os movimentos sociais esperam dilatar o prazo para que as famílias mais pobres se recuperem do baque. Não se trata de pouca gente, os dados oficiais atestam que esta é uma questão social das mais urgentes. O Brasil tem cerca de 5,8 milhões de pessoas sem casa, em moradias precárias.
Depois de sequestrar as cores da bandeira brasileira, um artifício que pende para o populismo mais descarado, a gestão Jair Bolsonaro pretendeu se apossar também dos programas sociais criados em gestões pregressas, incluindo as tão criticadas gestões petistas. Foi assim que o ufanismo tacanho e o personalismo mais rasteiro acabaram com a política habitacional do governo federal sob o pretexto de criar o programa Casa Verde e Amarela.


