O salário médio de admissão em postos de trabalho regidos pela CLT decresceu, não chega nem a dois mínimos. A situação consta em relatório distribuído ontem pelo Ministério do Trabalho e Previdência. Embora novas oportunidades tenham sido criadas, a qualidade do emprego e a renda do trabalhador formal deixam muito a desejar.
O Brasil gerou 278.085 postos de trabalho em setembro. Segundo as Estatísticas Mensais do Emprego Formal, o Novo Caged, entretanto, o salário médio de admissão em setembro foi de R$ 1.931,13. Comparado ao mês anterior, houve decréscimo real de R$ 12,47 – uma variação negativa de 0,64%.
As estatísticas mais recentes apontam uma tendência de empobrecimento da população. Os brasileiros querem consumir, abrir a mão, pagar por serviços, adquirir bens e produtos. Mas a economia não ajuda. O resultado emerge em forma de renúncias pessoais. Segundo levantamento realizado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), quase 80% das famílias brasileiras estão endividados. Trata-se da maior taxa de inadimplência registrada em 12 anos.
Os reflexos do dinheiro pouco certamente já são percebidos pelos comerciantes. Como sempre, os lojistas são os primeiros a lidar com o aperto derivado dos bolsos vazios do consumidor. A moeda não passa de mão. O movimento cai e o risco de desemprego aumenta, um verdadeiro pesadelo, um ciclo vicioso. Enquanto o governo federal tenta vender otimismo, de olho na duvidosa reeleição do presidente Bolsonaro, os brasileiros permanecem no vermelho.

