DNA como determinante na política é negar a própria política

* Rômulo Rodrigues
E a ninguém, nem mesmo a quem tem consanguinidade e quer usar para aparecer, pelas hostes inimigas, criando factoide político. Marcelo Deda Chagas, fundador do Partido dos Trabalhadores em Sergipe, foi elevado ao 1º plano da política do estado impulsionado por uma aliança entre operários, camponeses, intelectuais e estudantes que brotando no chão das fábricas, no campo, na universidade e nos grêmios estudantis tendo como vanguarda os embriões do SINDIQUÍMICA foi estagiário de direito e SINDIMINA, onde fincou raízes com seu irmão de ideais e lutas José Eduardo de Barros Dutra, esteando como locutor das Diretas-já de 1984 se inspirando na bandeira amarela tremulante da APEQ, símbolo do salto da consciência de classe de um operariado que veio para transformar a realidade política de Sergipe.
E em 1985 foi portador do grito de guerra engasgado nas gargantas dos aracajuanos na disputa dos votos para prefeito de Aracaju puxado por militantes do PT, que ocupando ruas e praças mostraram o despertar de um fenômeno político que ecoaria pelos quatro cantos de Sergipe que ali estava um partido que tinha um líder para conduzir com legitimidade, alegria e esperança os destinos de um povo que marcharia junto nos sonhos de abraçar sua Utopia.
Foi daí que, ainda estudante foi subindo a ladeira sempre sendo carregado nos ombros pela classe trabalhadora sem ninguém fazer teste de DNA até ser eleito e reeleito governador de Sergipe, vencendo duas lutas renhidas contra o até então imbatível Dr. João Alves Filho, combatente de peso que muito valorizou suas vitórias, quando fez questão de dizer: vocês me trouxeram até aqui e eu não posso decepcioná-los.
Um detalhe que salta aos olhos; daquela arrancada fenomenal até a mais consagradora, esta moça que se arvora de ser porta voz do DNA familiar, não aparece em qualquer fotografia exibindo sua comprovação de ter poder de excluir da vida do tio quem não comprovar o que ela exige como legitimidade política.
As declarações da moça refinada, que deixa de lado o que é de praxe, a consanguinidade da filiação e se vangloria da do sobrenome do tio famoso pela capacidade de expor uma genialidade política nunca antes vista em Sergipe, parece que se envergonha da honrosa raiz de descendência do povo Xocó.
É, talvez, tudo isso sim, e muito mais; ela é de extrema direita e, aí sim; enlameia o que exibe como critério de verdade e que pouco importa; seu exame de DNA quando nega o pensamento dele, inscrita no muro da sede do PT, que ela nunca leu porque nunca frequentou o lugar; “Sei que hoje, não sou aqui apenas um, nem me caibo na solidão do pronome eu. Aqui e agora sou muitos”.
É talvez muito triste para você uma sobrinha tão fora da curva do universo utópico do seu tio sujar sua história ao escolher a trajetória da traição ao se apegar a uma simbologia que não cabe dentro da real política sem vislumbrar o que Marcelo Deda sentiria ao vê-la em um momento em que a batalha política é pela soberania do país e sobrevivência da classe trabalhadora contra a barbárie, sabendo que está alistada no exército do punhal verde e amarelo, pronta para usar contra companheiros que lutaram lado a lado pela liberdade da pátria.
Luciana, o momento exige de você muito mais do lhe cabe, em si, que é dar uma olhada no retrovisor e ver as lições deixadas pelos erros na tragédia da vitória de Jânio Quadros, na farsa de Fernando Collor e na mistura apodrecida de Jair Bolsonaro e quanto o país andou para trás e quantas vidas foram sacrificadas de gente que pensava como você, inclusive.
Pois é, menina imatura; buscar abrigo no ninho de serpentes do PL e pagar como taxa de entrada atacar o senador Rogério Carvalho do PT é cair direto no fundo do poço e não vale a justificativa de nunca ter militado na política real e por isso não sabe ou, se sabe, se nega a acreditar que Rogério deixou sua vida estabilizada na cidade de Campinas para salvar seu tio na maior dificuldade que tinha que era completar sua equipe com um nome para ocupar a espinhosa secretaria municipal da saúde e o novo  secretário veio, viu, ocupou e venceu estendendo o sucesso para posterior ocupação na secretaria estadual, tudo comprovado nas criações do SAMU, e nas vencedoras batalhas contra o mosquito da dengue onde, todo mundo antes sabia quando morriam pessoas, mas que é difícil identificar as que não morreram pelas ações dele.
E aquele jovem político que venceu em 2000 com 52% dos votos, se reelegeu em 2004 com 71% e em 2006 e 2010 venceu o imbatível Dr. João Alves para o governo do estado, tinha como carro chefe a bandeira da revolução feita na saúde municipal em Aracaju e depois em todo o estado de Sergipe.
O vídeo que você expos, ele me mostrou em um café da manhã na minha casa em setembro de 2013, muito contrariado com as repercussões e ao pedir minha opinião, como de costume fui claro; Rogério, na vida todos nós podemos cometer pequenos erros, mas nunca, grandes erros; e você cometeu um dos grandes. Após uma pausa perguntei o que causou o fato e ele me mostrou uma mensagem recebida do governador e tirei a seguinte conclusão: continuo dizendo que foi um grande erro, porém só concebível se você não tiver considerado que estava diante de um homem gravemente doente e sim do governador do seu Estado e líder político e por isso, no impulso, respondeu no mesmo tom; o que o deixou bastante aliviado.
Mas, se o tom da resposta do então deputado federal do PT Rogério Carvalho foi um erro, que ele próprio reconheceu, a exploração no momento político é golpe baixo.
* Rômulo Rodrigues, sindicalista aposentado, é militante político
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