E DEU SAUDADE

 

* Rômulo Rodrigues
Como torcedor moderado do Flumi-
nense, desde 1951, quando ouvi 
pelo rádio – na verdade, a gente via o jogo pela narrativa do locutor – quando com dois gols de Telê, o tricolor derrotou  o Bangu e foi campeão carioca e eu, um fanático por aquela camisa que o próprio Telê envergava na Revista O Cruzeiro, na página dos ídolos do futebol brasileiro, comemorei a grande epopeia.
No ano seguinte, o time que serviu de base para o Brasil ganhar o Pan-americano, foi o Vasco da Gama, campeão em 1950 e base da seleção vice-campeã do mundo.
A partir do ano seguinte foi que o Flamengo formou um timaço e foi tri campeão de 1953 a 1955, cedendo o posto ao Vasco que, com um jovem treinador, Marin Francisco, vindo do interior de Minas Gerais, após conquistar o campeonato estadual com o Vila Nova fez a revolução de sair do WM para o desconhecido 4-2-4 e definir um novo padrão tático.
Vida que segue, tendo que falar em tijolo, que é pau que boia, pulo para 1981, ano em que o Flamengo foi campeão da Taça libertadores da América e do Mundial interclubes.
É inevitável que muitos façam comparações entre os dois times campeões da competição que homenageia Simon Bolivar e talvez, apareça alguém mais saudoso e remeta às glórias ao time tri-campeão, que tinha o famoso Rubens como nº 8; o Dotô Rubis, exímio cobrador de faltas; Índio, que fez o gol da classificação do Brasil, para a Copa de 1958, contra o Peru e Joel, Moacir e Dida entre os convocados campeões do mundo, sendo que Joel e Dida tinham como reservas, Garrincha e Pelé.
Como não sou daqueles que ficam agarrados nas comparações sobre times, sem analisar as circunstâncias de cada momento, prefiro ir para cada época em si e ver como estava o povo; o verdadeiro Senhor do Tempo, dos Anéis e das Verdades.
No triênio do tricampeonato, houve a grande luta vitoriosa pela criação da Petrobras, a travessia do suicídio de Getúlio Vargas, com a garantia constitucional da posse do vice- presidente, jornalista Café Filho, quando o clamor popular impediu o golpe militar planejado por Generais do Exército e a República do Galeão; advindo depois a eleição e posse de  Juscelino Kubitschek, com  a fidelidade  nacionalista do General Lott.
Após Juscelino, veio a eleição e posse de Jânio Quadros, que deu início à maldição dos 29 anos; com Collor em 1989 e esta coisa que está aí, em 2018.
Faz bem registrar que o povo daquela época não estava tão anestesiado como o de hoje, garantindo o nosso Petróleo, não deixando ser consumado o golpe pós Getúlio, assim como, resistindo o quanto pode ao que implantou a Ditadura Militar violenta, entreguista e corrupta de 1964, a serviço dos Estados Unidos da América.
Se o futebol brasileiro enfrenta uma nítida decadência em termos de seleção, vemos, com certeza, que a consciência das massas, também declinou.
A história registra que um ano antes do auge da euforia da conquista do bicampeonato mundial , em 1962, eclodiu o fenômeno do mais célebre educador brasileiro, Paulo Freire, com a "Pedagogia do Oprimido", introduzindo que a escola ensinasse o aluno "Ler o Mundo para transforma-lo".
Em 1961, ele coordenou um grupo que foi responsável pela alfabetização de 300 cortadores de cana em apenas 45 dias, em Angicos, RN, e foi tratado pelos fazendeiros como comunista.
Era época de efervescência e mobilização das massas pela defesa de direitos e das Reformas de Base do então Governo de João Goulart, que um ano depois, as conquistas da seleção canarinha não conseguiram suplantar nas mentes populares.
Como bem disse Joseph Pulitzer: "com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma".
E um retrato desse tempo está bem posto desde sexta feira, emendando com o final de semana de glórias flamenguistas juntando uma multidão alienada que já não consegue ir para as ruas para defender seus direitos que estão sendo roubados.
Sexta feira, dia 22, morreram nos Estados Unidos, o astro de TV Gugu Liberato e o Rabino Henry Sobel.
Gugu Liberato teve e está tendo por parte da mídia patronal – aquela preconizada por Pulitzer – um funério de primeira grandeza, mesmo nunca tendo defendido uma única bandeira de soberania nacional, luta pela Democracia, igualdade social, respeito aos direitos elementares do povo trabalhador, pelo contrário, defendeu Bolsonaro e toda a sua pauta criminosa de reformas.
Já o Rabino, bastou um único gesto para colocá-lo com destaque na história. Em pleno apogeu de ferocidade da Ditadura Militar, se negou a sepultar o cadáver do Jornalista Vladimir Herzog como suicida, enterrando-o como assassinado, sob tortura, pelos organismos de repressão, no cemitério judaico de São Paulo.
No seu discurso no Encontro Nacional do PT, Lula foi filosófico: se é para alguns terem mansão em Miami e muitos viverem embaixo de viadutos, não precisaria de lutadores por igualdades e direitos.
Para os profissionais de imprensa que agora pedem para acalmar os ânimos, encerro com Pulitzer: "A única Profissão para a qual nenhum tipo de treinamento é necessário é a de idiota".
* Rômulo Rodrigues é militante político

* Rômulo Rodrigues

Como torcedor moderado do Fluminense, desde 1951, quando ouvi  pelo rádio – na verdade, a gente via o jogo pela narrativa do locutor – quando com dois gols de Telê, o tricolor derrotou  o Bangu e foi campeão carioca e eu, um fanático por aquela camisa que o próprio Telê envergava na Revista O Cruzeiro, na página dos ídolos do futebol brasileiro, comemorei a grande epopeia.
No ano seguinte, o time que serviu de base para o Brasil ganhar o Pan-americano, foi o Vasco da Gama, campeão em 1950 e base da seleção vice-campeã do mundo.
A partir do ano seguinte foi que o Flamengo formou um timaço e foi tri campeão de 1953 a 1955, cedendo o posto ao Vasco que, com um jovem treinador, Marin Francisco, vindo do interior de Minas Gerais, após conquistar o campeonato estadual com o Vila Nova fez a revolução de sair do WM para o desconhecido 4-2-4 e definir um novo padrão tático.
Vida que segue, tendo que falar em tijolo, que é pau que boia, pulo para 1981, ano em que o Flamengo foi campeão da Taça libertadores da América e do Mundial interclubes.
É inevitável que muitos façam comparações entre os dois times campeões da competição que homenageia Simon Bolivar e talvez, apareça alguém mais saudoso e remeta às glórias ao time tri-campeão, que tinha o famoso Rubens como nº 8; o Dotô Rubis, exímio cobrador de faltas; Índio, que fez o gol da classificação do Brasil, para a Copa de 1958, contra o Peru e Joel, Moacir e Dida entre os convocados campeões do mundo, sendo que Joel e Dida tinham como reservas, Garrincha e Pelé.
Como não sou daqueles que ficam agarrados nas comparações sobre times, sem analisar as circunstâncias de cada momento, prefiro ir para cada época em si e ver como estava o povo; o verdadeiro Senhor do Tempo, dos Anéis e das Verdades.
No triênio do tricampeonato, houve a grande luta vitoriosa pela criação da Petrobras, a travessia do suicídio de Getúlio Vargas, com a garantia constitucional da posse do vice- presidente, jornalista Café Filho, quando o clamor popular impediu o golpe militar planejado por Generais do Exército e a República do Galeão; advindo depois a eleição e posse de  Juscelino Kubitschek, com  a fidelidade  nacionalista do General Lott.
Após Juscelino, veio a eleição e posse de Jânio Quadros, que deu início à maldição dos 29 anos; com Collor em 1989 e esta coisa que está aí, em 2018.
Faz bem registrar que o povo daquela época não estava tão anestesiado como o de hoje, garantindo o nosso Petróleo, não deixando ser consumado o golpe pós Getúlio, assim como, resistindo o quanto pode ao que implantou a Ditadura Militar violenta, entreguista e corrupta de 1964, a serviço dos Estados Unidos da América.
Se o futebol brasileiro enfrenta uma nítida decadência em termos de seleção, vemos, com certeza, que a consciência das massas, também declinou.
A história registra que um ano antes do auge da euforia da conquista do bicampeonato mundial , em 1962, eclodiu o fenômeno do mais célebre educador brasileiro, Paulo Freire, com a "Pedagogia do Oprimido", introduzindo que a escola ensinasse o aluno "Ler o Mundo para transforma-lo".
Em 1961, ele coordenou um grupo que foi responsável pela alfabetização de 300 cortadores de cana em apenas 45 dias, em Angicos, RN, e foi tratado pelos fazendeiros como comunista.
Era época de efervescência e mobilização das massas pela defesa de direitos e das Reformas de Base do então Governo de João Goulart, que um ano depois, as conquistas da seleção canarinha não conseguiram suplantar nas mentes populares.
Como bem disse Joseph Pulitzer: "com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma".
E um retrato desse tempo está bem posto desde sexta feira, emendando com o final de semana de glórias flamenguistas juntando uma multidão alienada que já não consegue ir para as ruas para defender seus direitos que estão sendo roubados.
Sexta feira, dia 22, morreram nos Estados Unidos, o astro de TV Gugu Liberato e o Rabino Henry Sobel.
Gugu Liberato teve e está tendo por parte da mídia patronal – aquela preconizada por Pulitzer – um funério de primeira grandeza, mesmo nunca tendo defendido uma única bandeira de soberania nacional, luta pela Democracia, igualdade social, respeito aos direitos elementares do povo trabalhador, pelo contrário, defendeu Bolsonaro e toda a sua pauta criminosa de reformas.
Já o Rabino, bastou um único gesto para colocá-lo com destaque na história. Em pleno apogeu de ferocidade da Ditadura Militar, se negou a sepultar o cadáver do Jornalista Vladimir Herzog como suicida, enterrando-o como assassinado, sob tortura, pelos organismos de repressão, no cemitério judaico de São Paulo.
No seu discurso no Encontro Nacional do PT, Lula foi filosófico: se é para alguns terem mansão em Miami e muitos viverem embaixo de viadutos, não precisaria de lutadores por igualdades e direitos.
Para os profissionais de imprensa que agora pedem para acalmar os ânimos, encerro com Pulitzer: "A única Profissão para a qual nenhum tipo de treinamento é necessário é a de idiota".

* Rômulo Rodrigues é militante político

 

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