* Rômulo Rodrigues
Desde o baque do sistema financeiro volátil na quebradeira do sub prime de outubro de 2007, que a classe dominante impôs como narrativa 2008, repetindo o que fez com a data do golpe militar de 1964 que se efetivou em 1º de abril de 1964 como sendo em 31 de março para evitar a vinculação com o dia da mentira que ela, toda poderosa, maquinava para dar outro golpe em nosso país; mas, assim como o suicídio de Getúlio Vargas adiou por 10 anos, o alerta do presidente Lula de que não passava de uma marolinha fez a trama se atrasar por 9 anos e se efetivar em 31 de agosto de 2016.
Porém, o novo golpe dado malogrou porque fizeram uma transição meia boca com um pulha chamado Michel Temer e prosseguiram tendo que recorrer a uma figura militar expulsa da caserna como a que tinham em mãos, a mais execrável que já tinham produzido e que por ser descerebrado, os representava.
E assim surgiu Jair Messias Bolsonaro como vereador da cidade do Rio de Janeiro eleito em 1988, execrado por Raul Seixas, que de maluco nada tinha e dois anos depois em 1990, foi eleito o deputado federal mais votado do estado e recebeu a repulsa de ninguém menos que Gonzaguinha.
E não foram em vão os alertas dos dois gênios da poesia e da música de que estava em ascensão o desencadear de uma guerra cultural que veio e se fixou como uma máquina de produzir narrativas polarizadas para espalhar ao léu o ódio e claro que, com todo o apoio do baronato da mídia; do tudo extraindo o nada e do nada extraindo o tudo porque precisa do ódio para muitas vozes.
Abril começou com a necessidade de combatermos o pensamento hegemônico que tenta impor a pauta da diminuição do Estado como única forma de promover o desenvolvimento, com a extrema direita usando como tática inicial intensificar o pânico social através do ódio contra a classe trabalhadora e suas organizações.
Como tática seguinte foram criados inimigos imaginários como tentaram fazer com a desacreditada mentira do Kit Gay e a inexistente ideologia de gênero, lembrando que já em 2018 o agora presidiário Jair trouxe para o Brasil, aplicando em cortes, no micro individual digital pela lógica de um Bolsonaro para cada perfil aproveitando bem as manadas de ressentidos.
E agora que as cartas estão na mesa com identificações de que os seguidores dele incapazes de produzir ou elaborar qualquer proposta que aponte para um mínimo de racionalidade em qualquer caminho no sentido da justiça e da justeza para o povo brasileiro, eles se bastam em bradar aos quatro cantos do universo e aos pontos cardiais a carcomida bandeira da corroída e extinta UDN, dos fundos dos sepulcros caiados, com os dizeres: o que é bom para os Estados Unidos, é bom para o Brasil.
É por isso recomendável ficar de olho no que está por trás de todo o discurso de lacração para encobrir a trama engendrada com o objetivo de violentar o direito internacional e anexar o Brasil como colônia do império do Tio Sam para salvar a crise do capitalismo que pouco produz e nunca não sacia seu apetite voraz.
Os passos vêm sendo dados há quase duas décadas e tem o marco histórico no projeto que culminou com a tal da autonomia do Banco Central e a imposição do neto de um dos maiores entusiasta da entrega do domínio financeiro do país, célebre traidor da pátria e subalterno ao poder monetário do dólar, ministro da economia da ditadura militar, economista Roberto Campos, a ser executado à risca por seu descendente e seguidor, do mesmo nome.
Como era preciso criar ou encontrar algo novo, surgido e comandado por um projeto com aparência de revolucionário no sistema de controle do poder, deixaram crescer a ambição de um aventureiro vindo do nada, para de repente criar um banco fantasma que movimentasse bilhões ou até trilhões de dinheiro falso, sem lastro, sem lenço e sem documento, cujas falsas narrativas eram transformadas em valores de troca e de uso restrito apenas a poucos especuladores bem vestidos e bem falantes como um Daniel Vorcaro que, de repente pudesse patrocinar e anunciar o novo eldorado, em terras distantes, no caso, as do novo dono do pedaço, com toda cobertura de quem se julga dono absoluto das narrativas que serviriam como ocupações dos espaços das mentes das multidões que anseiam e se acostumaram a crer em mentiras, como sinônimos de verdades, mesmo que inventadas para aqueles momentos.
E foi assim que encoberto com uma falsa bandeira que a tudo encobria e a tudo salvaria pelo poder mágico das palavras Deus, Pátria, Família cujo símbolo do sagrado fosse expresso em dólar, a pátria fosse a que habitava os subconscientes dominados e a família a que tivesse melhor associação com o crime organizado e o submundo das milícias que sempre souberam resolver divergências pelo método apreendido com os filmes de faroeste, ou seja, na bala ou melhor, por execuções sumárias.
Projeto pronto, atores escolhidos a dedo entre párias diversos, partiram para os ataques por onde os escolhidos inimigos fossem os de maiores fragilidades; os aposentados e aposentadas do INSS, sempre precisando de um adjutório para fechar contas no fim de cada mês, em formas de empréstimos fantasmas ancorados no mais fantasma de todos os bancos já criados nas rodas da agiotagem, e assim surgiu num passe de mágica, o Banco Master, como salvação, já que vinha ancorado na mais nova simbologia de templo da fé; a Igreja batista lagoinhas, como salvadora da pátria dos vendilhões de uma República capturada.
* Rômulo Rodrigues, sindicalista aposentado, é militante político


