EDITORIAL: A falta que faz um Plano Diretor

O Congresso Nacional já fez pouco caso do interesse coletivo e da opinião pública em oportunidades recentes
Já aprovada na Câmara dos Deputados, a Proposta de Emenda à Constituição que extingue a escala de trabalho 6X1 chega à Câmara Alta às vésperas das eleições – um período especialmente ruim para contrariar a vontade popular e o interesse da massa de trabalhadores.
O presidente do Senado, entretanto, não tem pressa, alega a necessidade de ouvir todos os setores da sociedade. Refere-se a CNPJ, antes de CPF. Considerada a resistência dos empregadores, deduz-se a quais setores o senador se refere.
A expectativa é enorme, por razões óbvias. O fim da escala 6×1, com garantia de ao menos duas folgas semanais, preferencialmente aos domingos, entraria em vigor 60 dias após a promulgação do texto.
A promulgação, no entanto, só acontece se a proposta for aprovada pelos senadores. Qualquer modificação na matéria remete a PEC de volta para a Câmara dos Deputados, que aceita ou rejeita as mudanças.
Trata-se aqui de mera boa vontade. Todas as concessões em relação ao texto original da PEC já foram feitas. Ainda assim, a oposição ao governo no Senado, comprometida com os donos da grana, promete alguma resistência. A mobilização popular será decisiva e determinará, portanto, o futuro da proposta.
O Congresso Nacional já fez pouco caso do interesse coletivo e da opinião pública em oportunidades recentes. E Alcolumbre já disse, com todas as letras: ele não tem pressa.
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