EDITORIAL: A morte de um rio

Crimes ambientais não são menos graves do que outros ilícitos. Muito pelo contrário. Prejudicam comunidades inteiras. Apesar do dano coletivo, entretanto, raramente recebem, no Brasil, punição à altura.
Há casos emblemáticos, como o chamado desastre ambiental de Mariana (MG), capaz de provocar comoção internacional. Outros, de menor dimensão e visibilidade, no entanto, ocorrem todos os dias. Sempre com consequências drásticas.
A mortandade de peixes no Rio Japaratuba, em Pirambu, não foge à regra. Embora não tenha merecido ainda a indignação dos sergipanos, afeta profundamente o cotidiano e a economia do povoado Maribondo. Os pescadores que tiram o próprio sustento daquele curso d”água são apenas os primeiros e maiores prejudicados.
A Administração Estadual do Meio Ambiente (Adema) informou que recebeu a denúncia e enviou, nesta segunda-feira, uma equipe ao local para averiguar o caso. Foram coletadas amostras de água para análise, a fim de identificar a causa da mortandade, e aguarda os resultados para a adoção de providências.
Há, no caso em tela, indícios irrefutáveis de crime, a começar pela fedentina. Segundo uma autoridade municipal, o rio exala agora o odor dos esgotos. Peixes e rios não morrem ao acaso. Os cidadãos de todo o estado precisam cobrar providências.
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