EDITORIAL: A queima-roupa

Não é a primeira vez que uma operação policial em Sergipe tem desfecho trágico. Certamente não será a última

Já é considerado fato corriqueiro: uma operação policial acabou com saldo de suspeitos abatidos no calor da bala. Nas redes sociais, fala-se em execução.
O Instituto Médico Legal confirmou a morte de quatro homens no Conjunto Fernando Collor, município de Nossa Senhora do Socorro, região Metropolitana de Aracaju. De acordo com a Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP/SE), agentes da Polícia Militar foram encaminhados para uma residência, após denúncias anônimas. Deu no que deu.
Não é a primeira vez que uma operação policial em Sergipe tem desfecho trágico. Certamente não será a última. Se, por vezes, o uso da força se faz necessário, nem sempre é assim.
Meses atrás, a execução de um jovem negro, um trabalhador com mulher e filho recém-nascido, executado por policiais em serviço ao deixar uma loja de conveniência no bairro Coroa do Meio, provocou escândalo, mas ficou por isso mesmo.
Depois, durante diligência provocada pelo roubo de uma motocicleta, o jovem Wemisson Marcenas Júnior desobedeceu a uma ordem de parada e foi abatido a tiros.
O Brasil registrou 6.393 mortes por intervenções policiais em 2023, o que significa 3,1 mortes por 100 mil habitantes. Itabaiana, na região agreste de Sergipe, aliás, é a quinta cidade do Brasil com maior taxa de letalidade policial – 28 mortes por 100 mil habitantes. No município sergipano 63% das mortes violentas se devem à ação de policiais.
Os números são do 18º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, elaborado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Embora os dados nem sempre estejam à mão, contudo, a letalidade policial é uma realidade conhecida do populacho em qualquer lugar do Brasil – especialmente entre os pretos e pobres, uma realidade que não tem nada de razoável.
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